sexta-feira, 17 de julho de 2020

A Matrioska

Diário da Astróloga: 17.07.20 | Quem não tiver problemas no seu núcleo familiar que atire a primeira pedra. Acho curioso como em alguns dos almanaques de astrologia o signo de Câncer é descrito de maneira quase imaculada. Sendo este o signo da família, ele trata também de origem, infância, proteção, mimos e afagos, quase como nas propagandas de margarina. Fato é que o signo tem seus aspectos sombrios, e justamente porque trata da nossa infância, são as experiências traumáticas deste período que carregamos pelo resto da vida. Assim, especialmente em dias de Sol em Câncer oposto aos planetas em Capricórnio, especialmente Saturno e Plutão, numa resistência marcante e realista, é preciso revelar as mágoas do passado e olhar não apenas para a criança ferida dos tempos idos, mas a criança ferida que ainda existe dentro de nós adultos.

Uma das tradições mais conhecidas da Rússia é a Matrioska. Uma boneca de madeira contendo entre outras 6 ou 7 bonequinhas em tamanho decrescente. Pintadas a mão em motivos coloridos e folclóricos, a boneca simboliza a família e a capacidade que cada mulher tem de gerar outra mulher sucessivamente. Como os russos nem sempre foram originais, a fonte de inspiração para a criação de um dos seus ícones nacionais é japonesa. A boneca teria sido feita em princípio de barro pelos orientais. Mas os russos a aperfeiçoaram e a transformaram num símbolo da família e da fertilidade que se sucedem como sinônimo de fortuna e prosperidade por gerações.
Mas dentro de um processo de imaginação criativa, ponto de partida para o pensamento simbólico, a Matrioska, que é traduzida por matrona, também poderia significar uma mesma pessoa em suas várias outras idades. E em se tratando da psique humana e de todas as suas camadas conscientes e inconscientes, a Matrioska é um incrível exemplo imagético de que todos, em todas as nossas idades, ainda moramos dentro de nós. De modo que dentro da "Dona Ana", anda mora uma Ana casada, uma Ana solteira, uma Ana adulta, uma jovem Ana, uma Aninha e uma bebê Ana. E lançando mão novamente de processos criativos, também seria interessante imaginar que dentro de uma mesma boneca cabem outras, que no somar se igualam ao número dos planetas conhecidos até então pelos antigos: Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. E que em última instância também poderiam significar os diferentes níveis da evolução humana. 
Fato é que às vezes nos deparamos com frustrações da vida adulta, bloqueios, raivas, medos, sofrimento físicos ou psíquicos que têm total relação com episódios duros que nos aconteceram na infância. E que se não forem buscados lá trás, no passado, não serão devidamente curados. Mas assim como a Matrioska, essas feridas não estão "lá trás". Elas estão dentro de nós, ainda muito presentes, escondidas apenas pelas camadas da memória que se sobrepuseram pelo tempo. Nós é que pensamos que a ferida ficou naquela criança que se foi. Quando na verdade ela ainda está lá, como uma Matrioska, que pede apenas para ser revelada, até chegar às suas origens.
No céu de hoje, com a Lua em Gêmeos e Mercúrio em Câncer, abre-se uma oportunidade preciosa de falar, contar, explicar, traduzir e revelar as feridas do passado que nada mais são que as feridas do presente. As mágoas, as "más águas" que moram dentro de nós, precisam vez por outra vir às claras, principalmente para nos darmos conta de que não ter uma vida com jeito de propaganda de margarina é muito mais comum do que se imagina. Ser adulto é compreender que a vida é feita de luz e sombra, e fazer as pazes com isso, mas protegendo e acolhendo a criança interior. Que neste final de semana a "Dona Ana" ou o "Seu João" possam resgatar a Aninha e Joãozinho que ainda moram dentro deles. É curando o passado, tão presente em nós todos os dias, que podemos ter um futuro mais bonito.
Aline Maccari Jornalista, Astróloga e Analista Junguiana
CRÉDITOS: Banco de Imagens: A boneca matrioska em versão tradicional russa e a versão super heróis moderninha.





A temporada canceriana vai chegando ao fim. E nesses últimos dias a Lua em Gêmeos e Mercúrio em Câncer, além de mais uma Lua em Câncer no final de semana, nos ajudam a falar das nossas angústias de infância, da nossa criança ferida. É preciso traduzir o que se passa dentro de nós. E o que se passa dentro de nós não é coisa do passado. Um exercício criativo com a boneca russa Matrioska talvez nos ajude a compreender que o sofrimento dos tempos de menino e menina ainda está dentro de nós, mas nós podemos amenizá-lo e até mesmo curá-lo. Aline Maccari Jornalista, Astróloga e Analista Junguiana
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CRÉDITOS: A Astróloga
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3 comentários :

  1. Eu que tenho meu sol em Câncer e meu ascendente, também em câncer, sei exatamente o que se ilustra no seu texto. Uma briga travada entre o lado luminoso de câncer, e é assim que as pessoas me veem, contra um lado sombrio, que também tenho, mas que busco mantê-lo sobe controle... Uma luta constante de emoções e sensações!

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  2. E para completar... Hoje é o meu aniversário!!! 17/07/78. Acho interessante essa combinação do sete no dia mês e ano do meu aniversário.

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