quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A morte do morto e a semente

A arte é de Salvador Dali
No céu, Sol e Lua no signo de Escorpião nos levam para as profundezas de nós mesmos. Movimento que pode nos encher poeticamente de vida ou de morte. O texto a seguir, apesar de conduzido por esse posicionamento celeste, pode ser lido em qualquer ocasião, pois o sofrimento profundo pode ser uma realidade nesse mesmo instante.
Nele, falo sobre um tema tabu que aos poucos vem sendo trazido à tona e que deve ser tratado com toda a calma, carinho, respeito, conhecimento e seriedade. Acabar com a própria vida é geralmente encarado como a pior decisão possível a se tomar diante da dor, independentemente do cenário cultural ou moral em que vivamos. E sobre o tema há inúmeras leituras possíveis. Para a astrologia e a mitologia ela tem uma forte relação com Saturno e Plutão, e seus movimentos ao nosso redor, no céu. Abaixo segue uma interpretação possível, sob o viés da astrologia, na mitologia, da alquimia, da psicologia junguiana e meu, muito particularmente. Este não é um tratado científico e não deve ser levado como verdade superior. Mas, pode ser uma luz para quem pretende entender o tema sob outras perspectivas, e para aqueles que se veem na condição dar suporte a quem precisa de ajuda.
Aline Maccari
* O texto completo pode ser lido no site. O link para acessá-lo é:

 http://www.aastrologa.com.br/2018/06/a-morte-do-morto-e-semente.html 

Este texto também estará na barra direita lateral do site. E pode ser encontrado no site também pelo sistema de busca, escrevendo as palavras chave que o compõe, como dor, sofrimento ou suicídio. 

A Morte do Morto e a Semente

No grande jogo celestial há muitos jogadores em campo, mas poucos times tão bem definidos. No céu há dois planetas BENÉFICOS (Vênus e Júpiter) e dois MALÉFICOS (Saturno e Plutão), segundo a interpretação da astrologia antiga. O jogo final poderia dar em empate se o time dos MALÉFICOS não ficasse tanto tempo em campo. Vênus, planeta da artes e do amor dá uma volta completa em 224 dias ao redor do Sol. Num giro rápido passa poucos dias em cada signo. A beleza e a paixão são mesmo breves. E as benesses de Júpiter podem não durar mais de um ano, já que o planeta fica cerca de 12 meses em cada signo. O sábio maestro aquariano, Tom Jobim, sabia bem que "tristeza não tem fim, felicidade sim". Juntas, astrologia e astronomia sabiam do caráter efêmero dos bons tempos. Os ciclos de Saturno, o deus das duras restrições, levam em média 29 anos. Nelson Mandela viveu essa experiência. Esteve encarcerado durante todo esse tempo. Viveu um ciclo saturnino inteiro na prisão. Sobre os ciclos de Plutão, esses são os mais difíceis. Uma volta completa entorno do Sol leva 248 anos. O deus dos nossos "infernos" mais profundos leva de 15 a 20 anos em cima de um signo. Em aspecto com algum planeta natal fica ativo por até 2 ou 3 anos. Uma eterna-idade! Um tempo sem fim! Há casos em que os MALÉFICOS massacram de tal forma, que o sujeito definitivamente descobre seus limites. Mas, há casos ainda mais graves em que os limites já foram rompidos. O grito de socorro do fundo do poço escuro de Hades já não pode ser ouvido por ninguém, e a alma parece morrer de inanição. Nessas horas o sujeito pode até estar inteiro por fora, mas certamente está destroçado por dentro. Não estou falando de dificuldades temporárias, essas todos nós temos. Estou falando de uma duradoura falta de saída, daquilo que se sente como intransponível, intolerável, insuportável. Nessas horas é Hades, deus do submundo que nos questiona se queremos continuar a viagem da vida. E diante de tanto sofrimento o sujeito pode pensar até no impensável: o suicídio. Se você não tiver condições emocionais para continuar lendo este texto, não se desgaste. Mas é importante que se diga que é uma das causas mais crescentes de morte entre jovens no mundo e esse número tem crescido assustadoramente.  
Ninguém opta por viver uma fase negra na vida. O sofrimento muitas vezes é obra do destino, essa entidade ligada ao nosso próprio inconsciente, ponte para algumas de nossa experiências mais fundamentais. A alquimia é a grande metáfora do processo de desenvolvimento da psique humana. O desenho mostra as fases do desenvolvimento alquímico. O primeiro desenho em preto é a fase do Putrefactio, onde o feminino e o masculino se unem ou devem se unir dentro de nós. É importante notar que o masculino e o feminino são aspectos da nossa psique e não necessariamente um par romântico, um homem e uma mulher. É como a imagem do yin-yang do taoísmo que explica que tudo na vida é dual.
Nesse estado perturbador de sofrimento, a dinâmica psicológica do sujeito fica profundamente abalada. Há quem diga que seja uma fraqueza. Mas, nem de perto isso é uma realidade. Sua postura passa longe da covardia. De fato, ao que parece, o sujeito não quer livrar-se da vida, mas do cadáver de si mesmo, podre e fétido que carrega nas costas há tanto tempo, para onde quer que vá, com quem quer que esteja.  Carregar por longa data a dor, uma doença, a distância, as frustrações, a culpa, os desgostos é uma verdadeira prisão em vida. Há várias leituras possíveis, mas é bastante plausível a possibilidade do sujeito no fundo querer apenas livrar-se disso tudo, eu diria que no fundo deseja "matar o morto" que habita em si. Para os leigos, Hades é como um Diabo que ri das desventuras humanas. Mas, para a ALQUIMIA, tema que psicólogo Carl Jung se debruçou pelos últimos 35 anos de pesquisa, esse planeta ou fase psicológica é equivalente ao "putrefactio" ou estado de putrefação, a etapa mais poderosa do processo de transformação do "chumbo em ouro".
Não se pode tratar a alquimia com leviandade. Afinal, se fosse algo simples o pai da psicologia arquetípica Carl Jung, não teria se dedicado a esses estudos durante 35 anos da sua vida. Na imagem é possível ver o laboratório do alquimista, esse "químico da antiguidade". Esse "labor-oratório" é um lugar de trabalho e oração em busca do aperfeiçoamento humano. 

É importante que se saiba que a máxima alquímica da transformação dos metais não está de fato falando da química do laboratório, mas da transmutação que acontece dentro do nosso "labor-oratório", um lugar na alma onde podem ocorrer verdadeiros milagres.  É na fase aparentemente podre, "debaixo da terra", sem luz, no escuro, que a semente rompe e germina. E é isso que o sujeito precisa saber quando está em situação de desespero. 
Pois meus amigos, saibam que existe uma saída desse poço tão fundo. Em astrologia, um exercício poderoso a se fazer é buscar Vênus e Júpiter no mapa astral e na vida. Em Júpiter reascendemos nossa fé e lembramos dos momentos de justiça e honrarias que vivemos na vida. E de alguma forma todos nós já vivemos momentos de glória. Na Vênus, lembramos das artes, do amor, de uma linda música, uma obra de arte que nos toca profundamente. Deixe-se mergulhar de volta no que existe de bem, de bom e de belo. Esses exercícios, envolvendo os planetas benéficos (Vênus e Júpiter), antes de mais nada, nos elevam a consciência, nos tirando da inconsciência plutoniana. De posse do amor, da beleza e da fé, seguremos na mão do Invisível para virar esse jogo! Esse é um processo tão complexo, tão difícil de explicar! Mas, se formos um pouco mais persistentes, conseguiremos driblar o tempo e as más lembranças. Essa é a lição que a astrologia nos ensina. Que o tempo tem quantidade, em horas e semanas; mas também tem qualidades. E uma fase que parece insuportável pode passar e vai passar. Usemos o escuro da alma para descobri-la e lançá-la o mais profundamente possível, que quando o tempo certo chegar uma frondosa árvore nascerá, sólida, cheia de folhas e frutos. Um processo terapêutico é altamente aconselhado nessa fase. O alquimista não é o terapeuta, mas você. O profissional é apenas um facilitador no caminho do autoconhecimento. Evite ficar só! Se alimente de quem lhe alimenta! Tenha paciência e sapiência, que às vezes o que carregamos não é um morto, mas uma semente.
Aline Maccari


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*Assim na Terra como no Céu! A astrologia faz todo o sentido por que microcosmos e macrocosmos tem uma relação íntima entre si. O que acontece entre os astros, repercute simbolicamente em nossas vidas, todos os dias. Essa "psicologia antiga" funciona como uma verdadeira bússola nos orientando na nossa jornada. Para entender melhor a si mesmo entre em contato com A Astróloga pelo e-mail aastrologa@gmail.com  
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* Aline Maccari é jornalista, cronista e astróloga, com pós graduação em psicologia junguiana. Para saber mais visite o blog www.aastróloga.com.br

CRÉDITOS: Arte de Tana Miller, com imagens de Salvador Dali e ilustrações da alquimia, de autores desconhecidos.
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2 comentários :

  1. Texto maravilhoso! como sempre você consegue transmitir de maneira simples e compreensível (acredito que até para leigos em Astrologia) os principios básicos das Leis do Universo e da psique humana. Obrigada

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    1. Corinna! Agradeço sua companhia diária! Fico muito feliz por estar aqui comigo! Obrigada!

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