segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Luz, sombra e cinema

Às vezes imagino as fiandeiras do destino, as moiras, tramando seus fios da vida e dizendo: "Quando esse fio encostar naquele os acontecimentos mostrarão ao mundo a lógica ilógica do céu". Se será algo bom ou ruim, talvez só os homens possam avaliar, pois entre os deuses, todos os episódios são amorais. De ontem para hoje os fios que se encostaram falam de um "gigante sem limites" (Sol, Mercúrio, Júpiter em Sagitário), em aspecto desafiador com um "sonhador violento" (Marte e Netuno em Peixes) e sentimentos inconscientes em grande tensão (Lua em Câncer em oposição a Saturno e Plutão). Dos aspectos mais importantes, sem dúvida está o retorno neste domingo (25) de Netuno ao seu movimento direto. O planeta "andava para trás" desde 16 junho, ou seja, cinco meses, confundido e reavaliando situações. E quando um planeta volta a "andar para frente", os temas de sua regência aparecem claramente para nós. Netuno é o deus da espiritualidade, que rege os viajantes além mar, é também o deus dos migrantes, da religiosidade, dos vícios e do cinema.
Nessa madrugada quem se despede de nós é um dos artistas mais elogiados e controversos da história da sétima arte. O cineasta italiano Bernardo Bertolucci ficou conhecido pelos filmes O Último Tango em Paris, O Último Imperador, O Pequeno Buda, Beleza Roubada e Sonhadores. Dono de uma extensa filmografia, o super pisciano Bertolucci (Sol, Vênus e Mercúrio em Peixes - oposição a Netuno no Ascendente) faz parte da última geração de grandes cineastas europeus dos anos 1960. Polêmico, Bertolucci foi acusado de forçar uma cena de sexo em O Último Tango em Paris, entre Marlon Brando e Marie Schneider. O filme de 1972 só seria exibido no Brasil em 1987, exatamente por causa da controvérsia. A atriz disse que foi coagida a fazer a cena, cujo nível de violência era desconhecido por ela até o momento das filmagens. Júpiter parece não ter tido limites, mas o público não poupou. Em 1993, Bertolucci tenta fugir do Samsara, em busca do Nirvana, com O Pequeno Buda, estreado por Keanu Reeves. O tema religioso teria sido como uma "purificação" depois de tantas polêmicas e acusações, pelo menos diante do público. Entre o céu e o inferno Bertolucci experimentou-se a si, aos artistas que dirigia e o público do mundo inteiro.  
Quando vejo biografias como essa percebo que a vida dos homens parece ser sempre uma descida ao infernos e uma redenção. Luz e sombra fazem parte dos nossos pensamentos, sentimentos e legado de vida. O que não exime ação da justiça contra as decisões criminosas do artista. Curioso é perceber como essa não é uma história incomum. Esses dias falávamos aqui na "A Astróloga" sobre os cineastas Woody Allen e Roman Polansky. Ambos também envolvidos em polêmicas e questões legais. Parece que quando Netuno está em jogo há tanta inconsciência que fica ainda mais difícil perceber a realidade. Esses, transformaram suas "ondas turvas" em arte. E nós? O que fazemos com as nossas? Às vezes, só de ir ao cinema, e de nos projetarmos coletivamente numa sala tão escura e imagética quanto o próprio inconsciente, já estamos vivendo e redimindo nossos assuntos. 
Netuno ainda vai nos encantar, iludir, religar e redimir. Transformar em arte nossas buscas e aflições talvez seja a saída mais digna possível para a própria vida, tão imperfeita. Como dizia o filósofo Friedrich Nietzsche, pelo menos "temos a arte para não morrer da verdade".
Aline Maccari

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*Assim na Terra como no Céu! A astrologia faz todo o sentido por que microcosmos e macrocosmos tem uma relação íntima entre si. O que acontece entre os astros, repercute simbolicamente em nossas vidas, todos os dias. Essa "psicologia antiga" funciona como uma verdadeira bússola nos orientando na nossa jornada. Para entender melhor a si mesmo entre em contato com A Astróloga pelo e-mail aastrologa@gmail.com  
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* Aline Maccari é jornalista, cronista e astróloga, com pós graduação em psicologia junguiana. Para saber mais visite o blog www.aastróloga.com.br

CRÉDITOS: Foto do cineasta italiano, piscianíssimo, Bernardo Bertolucci
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