quinta-feira, 9 de abril de 2020

A importância de falarmos sobre o FIM


Diário da Astróloga: 09.04.20 | No céu, entre o par Sol e Lua, um se encontra no signo da vida (Áries) e o outro no signo da morte (Escorpião). A finitude como tema que norteia a vida é ancestral. Os antigos a reverenciavam na figura de deuses com seus rituais. Poetas românticos fizeram dela fonte de inspiração para sua arte.
Mas na pós modernidade falar de morte tornou-se um tabu. Vivemos um tempo em que o novo, o jovem é valorizado de tal modo que descartamos o usado e o velho, até mesmo com certo repúdio. Quanto mais nos afastamos da morte, mais nos sentimos imortais. Quanta pretensão dos homens, diriam os deuses. Afinal, quem fugirá desse destino?

No céu, entre 2019 e 2020, Saturno, o velho, e Plutão, a morte, nos encostam contra a parede exigindo que falemos da finitude das coisas e da vida. E quanto menos se fala sobre esse tema, mais ele se torna um monstro sombrio que cresce nos porões do nosso psiquismo individual e coletivo. Nestes tempos há muita gente indo embora, pessoas perdendo o emprego, relacionamentos terminando. A finitude não deixará de existir porque não falamos dela. Então, podemos vivê-la como um tabu, obscuro, solitário, como um vazio que ecoa dentro de nós de maneira ensurdecedora ou podemos vivê-la como ela é: parte da vida.

Quem perde um parente, um emprego ou um amor vive tempos muito sombrios, pois é socialmente convidado a calar-se, ignorar suas lembranças e continuar a vida abafando seus sentimentos. O período do LUTO geralmente cumpria essa função. O tempo que os antigos ofereciam para a nossa recuperação continua sendo tão necessário quanto, mas hoje, nem mesmo este tempo nós respeitamos. 

MERCÚRIO
Quem pode nos orientar a lidar com este tabu é Mercúrio. Muito mais que um deus ou um planeta, Mercúrio é um princípio. Em sua mitologia, ele é um dos poucos, senão o único, que atravessa o céu e o inferno, indo do Olimpo ao Hades. Portanto, o deus mensageiro é quem transita pela vida e a morte. Sendo Mercúrio um princípio, é ele quem nos ensina o quanto é fundamental falar, ouvir e ser ouvido. Só a PALAVRA, veículo primeiro de Mercúrio, o deus mental, é capaz de atravessar os mundos, conectando os vivos e os mortos. Os espíritas kardecistas sabem disso como ninguém. São as orações e psicografias que acolhem e abençoam os entre mundos. Outro veículo mercuriano fundamental para a lida com a morte é a LEMBRANÇA. É ela quem conecta os tempos, o passado e o futuro, construindo um tempo presente que contenha algum sentido. O terceiro veículo proposto por Mercúrio é a ESCUTA. Palavra e lembrança não têm alívio sem alguém que as escute. Sacerdotes, padres, pastores, xamãs e até carpideiras faziam o papel de ouvintes e instrutores. Hoje são os psicólogos que cumprem esse papel. Na pós modernidade o melhor que conseguimos fazer foi transformar as alquímicas funções mercurianas num serviço.

EM TEMPOS DE MORTE
Vez por outra a vida nos lembra que a morte é quem dita suas regras. Quem foge da morte foge do sentido da própria vida. Pois é a morte, num campo de visão distante, que norteia as nossas decisões em vida. Em tempos de guerra ou pandemia a morte está num campo de visão muito mais próximo de nós. E evitá-la é cair na negação do óbvio. Uma vez que temos a sabedoria e a coragem de olhar para ela precisamos falar sobre ela, como nos ensina Mercúrio. Por isso a importância vital de encontrarmos ouvidos que nos ouçam. Se você estiver passando por algum episódio como este, se tiver perdido alguém ou algo importante, não evite o luto. Para isso é preciso contar a si mesmo o que houve, mas também a alguém de confiança. Encontre um amigo em que possa confiar para harmonizar o seu coração. E se por outro lado você é um amigo fiel, prove-se de fato leal fazendo a gentileza de ouvir o outro, com abertura, acolhimento, paciência e carinho. Em tempos de morte aprendemos, mesmo que a duras penas, a sermos mais humanos. 
Aline Maccari



O céu de hoje nos ajuda a falar sobre a morte. Este é um tema tabu na sociedade pós moderna. Mas o chamado da pandemia tem nos desafiado a lidar com a finitude da vida, dos amores, às vezes dos nossos projetos mais queridos. Falar da morte é falar da própria vida. Precisamos trazer esta conversa para mais perto de nós, respeitá-la e acolhê-la ao invés de fingir que o assunto não existe. Aline Maccari Jornalista, Astróloga e Analista Junguiana

*Este texto foi publicado primeiramente no site: www.aastrologa.com.br

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CRÉDITOS: Old Sorrowing Man ou O Velho Triste é uma tela de 1890 de Vincent van Gogh. Achei curioso encontra um homem velho e cabisbaixo, solitário numa sala pós moderna impecavelmente branca, asséptica e fria. 
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*Assim na Terra como no Céu! A astrologia faz todo o sentido por que microcosmos e macrocosmos tem uma relação íntima entre si. O que acontece entre os astros, repercute simbolicamente em nossas vidas, todos os dias. Essa "psicologia antiga" funciona como uma verdadeira bússola nos orientando na nossa jornada. Para entender melhor a si mesmo entre em contato com A Astróloga pelo e-mail aastrologa@gmail.com  






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