sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A Morte no Mundo Moderno.

O Livro Tibetano do Viver e do Morrer. Parte 1. Capítulo 1.2. A Morte no Mundo Moderno.
No ocidente as pessoas são ensinadas a negar a morte e a entender que ela não tem significado algum. O assunto é um tabu e falar sobre morte, acreditam alguns, pode atraí-la para perto de nós. Todos nós falamos de morte de forma frívola. Não nos preocupamos com ela da forma como deveríamos, até que ela se mostra para nós e nossos entes queridos. No entanto todas as grandes religiões do mundo, inclusive o cristianismo, mostram claramente que a morte não é o fim.

Essa desconexão da morte faz com que vivamos uma vida destituída de um sentido supremo. E viver se tornou um sinônimo de sugar as situações, as relações, tudo! Os efeitos desastrosos da negação da morte ultrapassam as barreiras do ser e prejudicam o planeta. Pois acreditando que a vida é única as pessoas do mundo moderno não desenvolvem uma visão a longo prazo sobre a vida. Assim nada as freia a saquear o planeta, seguindo metas imediatistas e egoístas. Temos jovens altamente educados, capazes de falar várias línguas ou de acessar inúmeros conhecimentos tecnológicos, mas formamos pessoas incapazes de ver um sentido global na vida. Os mestres budistas acreditam que quem passa por esse processo de educação é capaz de acreditar e construir uma vida futura com outra noção de moralidade e responsabilidade. A não responsabilização pelas conseqüências de seus atos trará uma conta alta para nossos filhos, netos e bisnetos pagarem.

Se vivermos sugando o presente, que futuro construiremos para eles, sem água potável, sem alimentação de qualidade, sem respeito entre os seres humanos, fingindo que a corrupção e a violência, por exemplo, não estão acontecendo conosco, empurrando com a vida com a barriga? Nossa sociedade se tornou obcecada pelo que há de mais efêmero, a juventude eterna, o poder e o sexo, fugindo da velhice e da decadência do corpo e da alma. Tratamos os idosos com desmerecimento por tudo o que já fizeram por nós. Como se não fossem mais úteis. Em muitos casos nós os jogamos em asilos, onde se vão solitários e abandonados. É tempo de olharmos diferentemente também para aqueles que morrem vítima das epidemias modernas como o HIV/AIDS.

Essas pessoas em especial vivem no limbo da nossa memória, como se não merecessem qualquer tipo de atenção, como se não fizessem parte da nossa vida, deste planeta. E quando queremos ajudar não temos nem noção de por onde começar. Nos Estados Unidos e na Europa existe um sistema chamado Hospice Movement, que ainda não existe no Brasil. Quando a pessoa atinge uma idade avançada ela pode vender parte de seus bens materiais para ser recebida numa espécie de vila onde terá companhia de outras pessoas que estão passando pelo mesmo processo que ela, no entanto com apoio psicológico, cuidados práticos e convivência humana. Um lugar onde se pode começar a pensar num significado para a morte e não de forma mórbida, mas entendendo e fazendo um balanço sobre a vida que viveram.

De preferência com auxílio espiritual para compreenderem a morte como uma experiência pacificadora e até positivamente transformadora.
Sogyal Rinpoche, o autor, comenta sobre o número crescente de suicídios entre jovens que encaram a morte de forma romântica, como uma saída para a depressão. Assim, temos medo de encará-la como ela é. E assim banalizamos este processo. A morte não é nem deprimente, nem excitante, é apenas um fato da vida. A maioria das pessoas morre despreparada para morrer, assim como viveram despreparadas para viver.


(Nos filmes da saga Eclipe um exemplo da morte vista sob um olhar romantizado.)

Resenha do Livro Tibetano do Viver e do Morrer por Aline Maccari
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