quarta-feira, 3 de junho de 2020

A história de Fagira


Diário da Astróloga: 03.06.20 | Sol conjunto a Vênus, de 02 e 04.06, colocam luz sobre seus assuntos favoritos. Em pauta estão o feminino, a beleza, o amor, os relacionamentos e tudo mais que seja do domínio de Afrodite.
No entanto, com a Lua em Escorpião oposta a Urano, também vem à tona os nossos aspectos sombrios, crises, violências e ao mesmo tempo uma forte necessidade de libertação. Sob este cenário, o depoimento de Roxie Washington, mãe da filha de George Floyd me chamou a atenção ontem à noite. Ao lado da menina, ela repetia que Gianna não teria mais o pai ao seu lado para vê-la crescer, se formar na faculdade ou levá-la ao altar no dia do seu casamento. Com choro embargado e preocupações legítimas de mãe e mulher negra, Roxie comoveu o mundo pedindo justiça contra o racismo.
O episódio de ontem me lembrou de uma experiência que vivi na África. Há alguns anos fui convidada para fazer uma série para a TV Brasil chamada "Nova África". Era a primeira vez que uma TV brasileira tinha uma proposta de cobertura tão ousada. A ideia era mostrar o quanto nós brasileiros somos africanos, mostrando desde nossas raízes ancestrais até as nossas relações atuais com o continente. Em alguns meses eu e a equipe viajamos por 10 países, contando inúmeras histórias. E em Uganda, vivi uma experiência transformadora. Longe de Kampala, visitei um grupo de agricultores. Lá, conheci a família Egesa que ganhava apenas U$ 100 por ano para sustentar sua família de oito integrantes. Eles moravam numa cabana de um único cômodo e chão batido. Mas desde que haviam se dedicado à cultura do café suas vidas haviam melhorado, aumentando o orçamento anual para U$ 2.500. O que os fez inclusive comprar uma casa nova. De modo que ver de perto uma família que vivia com "quase nada" elevar o seu padrão de vida para "muito pouco", era não apenas uma forte história, mas um grande drama. Ao final da entrevista com o Sr. Egesa fui conversar com sua esposa. Fagira era uma mulher muito humilde, mãe de seis, tímida, mas ao mesmo tempo muito forte e mal me olhava nos olhos. Imediatamente imaginei que aquela postura se daria pelo fato de eu ser branca, de não falarmos a mesma língua e ofereci a ela um presente, na intenção de mostrar que não haviam barreiras entre nós e em sinal de agradecimento por ela ter me recebido em sua casa, junto a sua família. Tirei do braço uma pulseira dourada que usava nas gravações e dei a ela, pois era o que eu tinha comigo naquele momento. Inesperadamente Fagira se ajoelhou no chão, segurou na minha mão o começou a agradecer, murmurando em seu dialeto. Nunca na vida havia vivido uma situação tão surpreendente como aquela. Eu não tive a menor intenção de provocar esta reação em Fagira e imediatamente eu pedi a ela que por favor se levantasse, fazendo-a compreender que não devia nada a mim, nada a ninguém. Feliz com o presente, ela tirou uma foto ao meu lado e posamos nossa igualdade possível, pelo menos naquele momento. 
Obviamente que o racismo é uma questão mundial. No Brasil ele é histórico, estrutural, desumano e monumental. Mas, foi na África que comprovei que ainda que a questão negra seja uma causa que me toque a vida inteira, a história da cor da minha pele importa e os brancos têm que admitir o seu lugar de privilégio. E que ainda que eu não seja racista, os meus ancestrais o foram. E por carregar a aparência que o destino me deu, eu acredito que tenho a obrigação de tornar justas as relações com os negros. Foi Fagira quem me fez entender não apenas o meu lugar, mas a minha necessidade de ação. E que parte importante do destino branco é naturalmente o de reparar desigualdades históricas, do contrário elas se perpetuarão.
Nesses dias de forte tensão astral, a vida nos chama a mudanças, de padrão, de comportamento, de história. Hoje é um dia e tanto para pensarmos os gêneros, as raças, mas este é sem dúvida um tempo para reparações. Pois se quisermos um mundo diferente para viver, precisamos todos participar desta transformação. 
Aline Maccari Jornalista, Astróloga e Analista Junguiana



Sol conjunto à Vênus de 2 a 4 de Junho nos leva aos assuntos do feminino. O que me faz lembrar da história de Fagira, mãe e esposa, cafeicultura do interior de Uganda, na Áfica. Uma mulher negra, forte, humilde e que me ensinou muito não apenas sobre o que é ser negro, mas sobre os meus privilégios de mulher branca. Todos precisamos combater o racismo e as desigualdades no mundo. Se queremos um planeta mais justo precisamos lutar por isso. E a ação começa em nós! Aline Maccari @aastrologa Jornalista, Astróloga e Analista Junguiana TEXTO DE HOJE: http://www.aastrologa.com.br/2020/06/... SÉRIE NOVA ÁFRICA: http://alinemaccari.blogspot.com/sear...
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CRÉDITOS: Fotos de arquivo pessoal referentes às gravações do programa "Nova África" da TV Brasil. A série pode ser assistida nos seus 26 episódios no meu site pessoal: www.alinemaccari.blogspot.com.br
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