sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Qual é o seu preço?

Plutão, Vênus e Lua em Capricórnio: se a vida é de terra todos temos um preço
Ela entra no café sem se incomodar com o que deixa para trás. A Land Rover estacionada em fila dupla perturba o movimento da rua, mas ela acha que o seu caminhar é tão mais perturbador e encantador que todos a pouparão de regras sociais. Afinal, uma mulher cara merece as suas próprias normas. O garçom que se apresse em acudir os demais fregueses querendo sair do estabelecimento. A criadagem que cuide dos pormenores.
O único detalhe é que o cartão de crédito que valida todos os seus mimos leva o nome de um empresário de 65 anos, seu marido. Caminhando pelo centro da capital com Raphael, um amigo que transita pela cidade em cadeira de rodas ouvi uma boa. Ele disse que o fulano que se arrasta pelo chão, todo retorcido, maltrapilho, fétido e queimado sol é de fato cadeirante. O que é de partir o coração. Ele se humilha por trocados que de moeda em moeda vão engordando os porquinhos de barro que têm em casa. Até as economias se transformarem em uma casa inteira. Ele parece não ter condição de comprar uma cadeira apropriada ou de trabalhar, mas possui 3 imóveis alugados na periferia de Brasília, numa cidade satélite. O vizinho, trabalhador incansável, mora numa espelunca. E não é falta verba para reforma. É que ele gasta grande parte de seu ordenado ordenando ao filho o que fazer. O apartamento, o carro, a gasolina, os cigarros e as baladas são pagas pelo pai. E não que o velho seja um bobo. Muito pelo contrário. O suborno diário é a garantia de que jamais estará só na vida, nem que seja por causa de uma dívida eterna de gratidão financeira. E nós!? O que fazemos por dinheiro? Quando grandes homens, autores, religiosos, pensadores nos dizem para exercitarmos o desapego nos sentimos um tanto miseráveis. Seria possível não se vender por dinheiro? Às vezes penso que essa vida não é de água (emoção), fogo (entusiasmo) ou ar (ideias). Ela é de terra, ela é da matéria, do físico, do corporal, da sobrevivência e portanto do dinheiro. Foi assim que construímos a dinâmica. Ontem e hoje são dias de Lua em Capricórnio, a Lua que rege a nossa ambição, as instituições financeiras, os patrimônios, os recursos e tudo o mais que nos dá estrutura do acordar ao dormir, entre todas as contas que temos que pagar. Como dizia uma das mulheres mais saturninas que conheci: "Nós pagamos para viver. Basta começar a respirar e lá estamos nós tirando dinheiro da carteira". A questão é: de que forma vendemos a nossa força de trabalho, habilidade ou sonho em nome da sobrevivência. Plutão em Capricórnio e também a Vênus (até 5.03.2014), no último signo de terra nos fazem pensar profundamente sobre como elaboramos a equação sobrevivência X dinheiro. Uma reflexão que acontece simultaneamente em vários lugares do mundo. Gregos, espanhóis e portugueses têm pensado nos mesmos temas, principalmente agora, em tempos de crise. Desde a entrada de Plutão em Capricórnio, em 2008, o mundo já não é mais o mesmo. Esgotamos nossos recursos e modelos de sobrevivência. Paramos em muitas filhas duplas, torramos muitos cartões de crédito, nos rastejamos demais quando podíamos ter tido um trabalho digno, aceitamos muito dinheiro de quem não devia, afinal parecia tão fácil, agora temos que acertar as contas. Plutão e todos os planetas que sobrevoam Capricórnio formam quadratura com Urano em Áries. Urano na mitologia grega se confunde com a história de Prometeu. O cara libertário que foi ao Olimpo, roubou o fogo sagrado dos deuses para dar aos mortais, bateu a porta e mostrou o dedo. E como Prometeu estamos sendo constantemente tentados a fazer a mesma coisa. Quem diria que um ângulo de 90° provocaria tanto estrago. As estruturas estão ruindo. As físicas, as psicológicas, os mimos, as chantagens, os subornos e os auto enganos também. Em dia de Lua e Vênus em Capricórnio seremos chamados a pensar sobre o quanto custamos. Afinal, qual é o nosso preço?
Aline Maccari

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