quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Vênus e Plutão: beleza e poder

Vênus em conjunção com Plutão em Capricórnio: o tríptico de Francis Bacon (escorpiano) foi vendido por 142,4 milhões de dólares. A obra mais cara do mundo foi leiloada durante a maior crise de todos os tempos.
Na redação os colegas não entendiam como eu, uma repórter brasileira, poderia gostar e promover o jornalismo cultural num país que valoriza tão pouco a arte. O trabalho era árduo e geralmente uma reportagem sobre um desabamento ou alguma manobra econômica fazia todo o meu trabalho despencar, simplesmente porque alguém determinou que a desgraça, o grotesco e a miséria são de interesse do espectador.
Os repórteres de política e economia brincavam dizendo que um dia eu ainda morreria de fome e minguaria assim como a cultura. Nas TVs, jornais ou revistas, de fato o conteúdo de arte e cultura sempre ficou em segundo plano.
O Abaporu, de Tarsila do Amaral - 1928
O que poucos sabiam é que de alguma forma, acompanhando os movimentos culturais e artísticos de um determinado país ou época se têm um retrato valiosíssimo daquele momento, capaz de falar não só sobre as aspirações políticas daquele povo ou sobre sua condição financeira, mas além disso sobre seus humores, lutas, amores e valores filosóficos, religiosos, privados, coletivos, familiares, sociais ou estéticos. O Abaporu, de Tarsila do Amaral, fala muito mais sobre o Brasil de 1928 que infindáveis reportagens sobre a condição do país naquela época. Uma imagem fala mais que mil tripas de jornal. No céu, até o dia 17 de novembro, a Vênus, deusa das artes, forma conjunção com Plutão, o mais poderoso dos deuses, em Capricórnio, último signo de terra, referente a bens, valores, preços, prestígio, riqueza e tradição. A Vênus forma ainda quadratura com Urano, deus libertador dos oprimidos. No topo do céu, de braços dados com o poder, oprimindo os mortais a deusa manda notícias. Na noite de ontem a casa de leilão de arte contemporânea Chiristie's, em Nova York, vendeu um quadro considerado o mais caro do mundo. A obra se chama Três estudos de Lucian Freud, do artista anglo-irlandês Francis Bacon. O tríptico foi arrematado por 142, 4 milhões de dólares, deixando para trás O Grito, de Edvard Munch, que ocupava o primeiro lugar na lista das obras mais caras do mundo, vendida em maio de 2012 por 119,9 milhões de dólares.
O Grito, do  norueguês Edvard Munch,
precursor do expressionismo alemão - 1893
A obra é um tipo de homenagem de Bacon ao grande amigo e também pintor Lucian Freud, datada de 1969. Companheiros de jogos, noitadas e artes, ambos se frequentavam e pintavam retratos um do outro. Em apenas seis minutos de ferozes negociações a pintura foi vendida. Com a notícia o mercado de artes ganha novo fôlego e novos recordes. Em meio a uma das maiores crises financeiras da Europa e dos Estados Unidos, não é de espantar que a obra alcance valor tão estratosférico. Todas as vezes que as finanças vão mal as artes vão muito bem. Investir em obras de arte é uma forma de capitalizar, emoldurar uma quantia realmente relevante, de forma segura, até a maré passar. Uma obra de arte nunca perde seu valor. Quem compra é quem agora tem o poder financeiro nas mãos, colecionadores da China, Rússia e Oriente Médio. Uma manobra que fala exatamente sobre o tempo que estamos vivendo e as novas disposições do poder. Não por acaso Francis Bacon é nascido sob o signo de Escorpião (28.10.1909), o poderoso. O que está em cima é como o que está em baixo. E as artes são o reflexo da vida. Para as próximas horas e dias a Vênus pode aparecer novamente trazendo mais notícias. A todos um excelente final de semana, com as bênçãos da deusa do amor e da beleza.
Aline Maccari


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