terça-feira, 26 de novembro de 2013

Encantos, desencantos e lições

Em dia de Lua em Virgem me lembrei do virginiano Kalu Rimpoche, mestre do budismo tibetano. Em dia de Sol em conjunção com Netuno me lembrei que para se encontrar é preciso se perder. E que não exite luz sem escuridão.
O samsara é encantador. Essa frase foi reveladora, não só para mim, mas para dezenas de pessoas presentes à palestra de um grande mestre no ano passado em Brasília. No mês de Sagitário (o grande veículo) que tal falarmos deles, os inspirados? Kalu Rimpoche foi mestre de uma das quatro linhagens principais do budismo tibetano. E com a invasão dos chineses durante a segunda guerra mundial e devido às atrocidades praticadas por eles contra os tibetanos,  mestres, discípulos e uma parte bastante considerável da população encontrou exílio em Dharamsala, na Índia.

Kalu Rimponche, falecido em 1989
O velho Rimpoche sabia que os chinocas tinham um plano: eliminar a cultura de um país é destruir o próprio país e sua memória. Assim, sabiamente, ele viajou pelo mundo, pelos quatro cantos, divulgando o dharma ou os conhecimentos do budismo e as palavras de Buda. Rimpoche pregava sobre o nirvana, o céu, e o samsara, a roda da vida que gira sem sessar, motivo de todo o sofrimento no mundo. No samsara nos vemos repetindo padrões de comportamento e incorrendo em erros que se propagam vida após vida. E para os budistas, por meio da compaixão pelo próximo e da meditação é possível encontrar libertação e portanto, paz. Como filosofia mentalista, eles acreditam que tudo acontece na mente e a revisão dos atos e pensamentos diariamente é um dos exercícios principais de libertação.  O que Rimpoche pregou era tão simples e verdadeiro que conquistou os governantes, o povo e vários centros de Dharma foram abertos nos Estados Unidos, Europa, Canadá e América Latina. Com a disseminação (prática sagitariana, lembrando que o signo é regido por Júpiter ou Zeus) da memória, da cultura e da verdade do Tibet e as práticas do budismo tibetano, Rimpoche garantiu a sobrevivência de seu povo, ainda que habitando outro país.
Kalu Rimpoche reencarnou no ano de 1990
O mestre faleceu em 1989, mas em 1990 sua reencarnação foi reconhecida em Sonada, na Índia. Hoje, o jovem Kalu tem 23 anos e leva a mesma missão do anterior, num mundo com novas fronteiras, desafios, e principalmente com a antipatia atual dos jovens pelo pensamento religioso. Uma missão difícil. Criança Kalu foi levado para o mosteiro e recebeu a educação erudita digna de um mestre de linhagem; conhecimento dos tempos de Buda, sem interrupção temporal. Ele acordava todos os dias às 4 h da manhã para meditar e praticar yoga. Aos 21 anos voltou para o mundo com a mesma missão, viajar e disseminar o conhecimento sobre a iluminação. O que os budistas caducos não imaginavam era que quando o rapaz colocasse o pé fora do mosteiro ele se encantasse tanto com a roda da vida, o samsara. E ao invés de pregar a saída da roda ele entrou nela de cabeça. Sem nunca ter conhecido o mundo lá fora Kalu conheceu drogas, mulheres, sexo, balada, música eletrônica e hip hop. Um desespero para os monges e lamas da linhagem. A curtição teve começo, auge e se apaziguou com ele.
Kalu Rimpoche é do signo de virgem: purificação
Ano passado, visitando um de seus centros em Brasília, ele disse com todas as letras: "o samsara é encantador". Em dias de Sol em Sagitário em quadratura com Netuno (o chamado da espiritualidade) em Peixes (em casa) estamos vivendo e falando de encontros e desencontros espirituais. Um paradoxo entre a busca e a fuga. Quem ouviu seu depoimento pela primeira vez não entendeu nada. De forma clara e pessoal o que Kalu quis dizer é que não há luz sem trevas. A meditação, a alimentação, a respiração e a intenção constantemente focadas no lado brilhante da vida não garantem o passaporte para o paraíso, o nirvana. Só quem se perde pode se encontrar. Por isso o samsara é uma delícia. A fuga não é o caminho, mas é um obstáculo consciente que todos em algum momento podemos passar. Pois que ela seja frutífera então. Em dia de Lua em Virgem me lembrei do jovem mestre virginiano, Kalu. Quando disse a ele que estudava astrologia ele disse: "Faça o meu mapa! Eu sempre sou chamado a dizer coisas sobre as pessoas. Pois diga alguma coisa sobre mim, vou adorar saber". Depois fomos tomar uma cerveja e conversar mais sobre a vida. Pelo menos até agora a minha conclusão é a de que estamos nos encontrando e nos perdendo, nos encontrando e nos perdendo...
Aline Maccari
Kalu Rimpoche aos 20 anos






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