sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

É Carnaval

Foto de Antônio Guerreiro
Diário da Astróloga: 21.02.20 | O carnaval é celebrado desde os tempos em que a realeza era sinônimo de nobreza de caráter e sintonia com as leis da natureza. Naqueles tempos, o bom rei, deixava as chaves da cidade nas mãos de um rei bufão e a por três dias a vida se tornava um caos.
O mendigo da rua virava importante fidalgo, a recatada moça de família virava meretriz, o prefeito presunçoso virava marinheiro, crianças se tornavam adultos, pais de família se vestiam de mulher e esposas domesticadas se tornavam lindos bichos selvagens. Por três dias era possível trocar de papéis, encarnar a fantasia de ser outra persona. Uma farra levada ao apogeu da loucura dionisíaca, do vinho ao êxtase, até que tudo se acabasse em cinzas, como uma fogueira que arde intensamente até se tornar pó. Essa época, coincidia com fevereiro, entre Aquário e Peixes. Aquário é regido pelo planeta Urano. Na mitologia, Urano, o deus céu, é aquele que dá origem a tudo, pois é também o princípio do Caos, o nada que pode vir a ser tudo, o lugar de nascimento de todas as coisas, onde ainda não brotaram preconceitos, limitações, predeterminações ou inclinações. No Caos há uma loucura, uma efervescência, um frenesi e uma liberdade que não existem em nenhum outro momento. No Caos tudo é possível, permitido, livre, pois é o espaço do vir a ser. Em Peixes temos a falta de limites para o amor, a fantasia, o delírio, a sensação de que somos todos um e de que é somente nos misturamos que iremos nos encontrar. Neste signo regido por Netuno, o deus da psique profunda, que nos entregamos a alguns dos nossos impulsos mais inconscientes e nos deixamos levar, sem ver o dia ou o tempo passar. É o fim da roda zodiacal, o apogeu das celebrações da evolução do ser.
Janys Jopling e o Rei Momo no carnaval do Rio de Janeiro. Depois da brincadeira, o Rei da fantasia devolvia as chaves da cidade ao Rei de verdade.

Quando o sábio rei entregava as chaves da cidade ao Momo ele sabia que durante três dias ele deixaria a população entregue às experiências de um começo caótico onde tudo, absolutamente tudo era possível, sem nem mesmo a distinção entre o que é bom e o que é mau. Uma experiência, que dentro da perspectiva junguiana pode ser entendida como uma licença para vivermos nossas mais reprimidas fantasias, guardadas a sete chaves em nossa sombra. Nela, onde mora tudo o que há de mais contido em nós, vive nossa outra metade, a parte compensatória da mulher recatada, a libertina; a parte compensatória do homem adulto e responsável, o menino e assim por diante. Por três dias a experiência de viver  tamanha liberdade permitia ao homem entrar em contato com o pior e o melhor de si mesmo, suas auto representações mais delirantes, sua loucura e divindade, até que sua fantasia sobre esse outro si mesmo acabasse em cinzas. Como um outro eu que nasce, cresce e morre em poucos dias, como uma pequena experiência. Após a quarta-feira, tudo voltaria a ser como antes. Mas, com um aprendizado, o de que dentro de cada um de nós mora um bicho indomável que precisa dizer Carnavales, Adeus à Carne, pelo menos uma vez por ano. Por meio da experiência dos opostos, como um yin-yang, o sujeito tinha a oportunidade de conhecer suas outras facetas, de se libertar do que lhe oprimia e viver uma experiência riquíssima de autoconhecimento e por que não de diversão, às custas de outras realidades, numa atmosfera totalmente sem barreiras.
Xuxa e Luisa Brunet no carnaval dos anos 80.
Urano e o rei nos ensinavam que a experiência do Caos no Carnaval, como uma grande catarse coletiva, não só pode ser muito libertadora e divertida como Aquário e Peixes gostas, como fundamental, pois quem não fica fora de si vez por outra, pode acabar se deparando com sua parte sombria em condições totalmente inapropriadas. De forma que o Carnaval é o espaço mais saudável para as nossas "loucuras".
Viver a fantasia do Carnaval não é só uma permissão social, baseada numa necessidade real ou numa licença religiosa. É acima de tudo uma necessidade emergente da psique, da alma. Pois se temos licença para nos acabarmos em fantasia, aproveitemos... antes de voltarmos à dura realidade. 
Aline Maccari
Mulheres domesticadas se fantasiam de lindos bichos selvagens no carnaval. Pelo menos algumas delas. 


fan·ta·si·a 
(latim phantasia-aeideianoçãofantasmaapariçãodo grego fantasía)
substantivo feminino
1. Sinónimo de imaginação.
2. Espíritopensamentoideia.
3. Vontade passageira.
4. Ficção.
5. Capricho.
6. Gosto extravagante.
7. Roupa que representa um traje típico (de uma épocade uma profissão), um objectoum animaluma figuraetc., usada sobretudo como disfarce em festas (ex.: crie a sua própria fantasia de Carnaval).
8. Obra em que o artista ou o escritor segue a sua imaginaçãosem se sujeitar à verdade ou às regras.
9. [Música Peça musical em que o compositorpondo de parte qualquer forma estudadadeixa simplesmente actuar a fantasia da sua imaginação.
10. Paráfrase de uma obra musical.


"fantasia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013

O Carnaval, sendo uma festa que atravessa os tempos desde a antiguidade, contém verdades profundas. E é justamente nesta festa que podemos descobrir mais sobre nós mesmos! E então? Qual a fantasia que mora dentro de você?
Aline Maccari

Começa hoje o Carnaval 2020! Baseado no texto e no vídeo publicados hoje mais cedo, desejo a todos um tempo de folias, união, mistura, beleza, sem preconceito, sem violência, divertido,com responsabilidade e boas descobertas sobre nós mesmos. Nestes próximos dias publicarei apenas pela manhã com textos mais curtinhos. Aproveite para assistir aos vários vídeos da Astróloga no canal do Youtube e para ler os textos do site. Os links estão abaixo e também na BIO. Nos vemos de volta em breve! Que seja uma linda festa! Um grande abraço!
AM

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*Assim na Terra como no Céu! A astrologia faz todo o sentido por que microcosmos e macrocosmos tem uma relação íntima entre si. O que acontece entre os astros, repercute simbolicamente em nossas vidas, todos os dias. Essa "psicologia antiga" funciona como uma verdadeira bússola nos orientando na nossa jornada. Para entender melhor a si mesmo entre em contato com A Astróloga pelo e-mail aastrologa@gmail.com  

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