quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A benzedeira

Entrei no Bar do Arante, no Pântano do Sul. No teto, nas paredes, via-se as mensagens que o mundo deixou de amor, carinho, saudade, pedidos de toda a ordem. Os bilhetes balançavam sem parar com a brisa forte que vinha da praia, fazendo o lugar parecer um peixe vivo, cheio de escamas. Eu diria que eram pedidos a Netuno, deus dos mares. É dos restaurante mais movimentados de Florianópolis, a Ilha da Magia.
Mas, para além disso, Seu Arante guardava uma pérola ali dentro, sua irmã. Fui ao canto do restaurante para vê-la. Pela porta ela chegou miúda! Coisa da vida, que se apequena com a idade e se agiganta com o tempo. No olhar, Tia Hilda convocou-me a mudar de mesa e a sentar-me na frente dela. Ela me perguntou o que eu desejava e eu disse que queria tudo de bom que a prece dela pudesse me trazer. Foi então que a benzedeira de um século de vida começou a rezar. Filha de pais pescadores, muito pobre, rendeira, ela aprendeu seus ofícios muito cedo e fez disso suas ocupações para a vida inteira. Tia Hilda benzia contra quebranto, mal olhado, de pé rachado a doenças graves. Fiquei atenta para entender o que ela dizia baixinho, mas o sotaque de manezinha da Ilha me confundia. Quando achava que pegava uma frase, ela me escorregava. Todos os anos, centenas de pessoas vão ao bar do Arante para saborear a melhor refeição e receber a mais poderosa prece. Naquele ano, a reza da benzedeira abriu meus caminhos e minha consciência de uma maneira muito clara e especial. Mas ontem, aos 104 ou talvez 105 anos, Tia Hilda nos deixou. A Ilha de Floripa lembra hoje dela com uma grande saudade e com muitas histórias, afinal era moradora ilustre, de alma nobre, uma "grande mãe" local, sempre muito requisitada. Benzedeiras são cada vez mais raras no mundo de hoje. Mercurianas, são como um canal de comunicação entre o mundo do visível e do invisível, trazendo e levando mensagens, nos ungindo com palavras de amor. Duas datas são importantes na vida: o dia em que chegamos e o dia em que partimos. Hilda Martinha Vieira não sabia sua data de nascimento, mas sua data de despedida não poderia ser outra. No céu, o Sol em Virgem fala do arquétipo do mensageiro cuidador, do que está a serviço e a Lua em Câncer da mãezinha amorosa que nutre e acalenta. Eu diria que ela se foi sob os exatos astros que mais a abençoaram a vida inteira e que fizeram dela o que ela foi. Bonito na vida quando na data de nossa despedida há só gratidão! Benza Zeus mãezinha, que a Lua e Mercúrio a recebam de braços abertos e cuidem de ti como a senhora cuidou de tanta gente!
Aline Maccari

*Assim na Terra como no Céu! A astrologia faz todo o sentido por que microcosmos e macrocosmos tem uma relação íntima entre si. O que acontece entre os astros, repercute simbolicamente em nossas vidas, todos os dias. Essa "psicologia antiga" funciona como uma verdadeira bússola nos orientando na nossa jornada. Para entender melhor a si mesmo entre em contato com A Astróloga pelo e-mail aastrologa@gmail.com  

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* Aline Maccari é jornalista, cronista e astróloga, com pós graduação em psicologia junguiana. Para saber mais visite o blog www.aastróloga.com.br

Crédito: Enquanto Tia Hilda me benzia, minha cunhada Luana tirou essa foto. Eu não a mostraria em outra ocasião senão para fazer uma homenagem a essa curandeira linda em pleno ofício. Entre as fotos também é possível ver os bilhetinhos por todo o Bar do Arante. E numa delas está ao meu lado a minhã mãe.
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