sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

"Um dia como mil anos e mil anos como um dia"

Dia de Lua em Touro e Sol em conjunção com Vênus em Capricórnio. A beleza, o amor e o tempo nos chamam a atenção. Serão tempos de Chronos ou tempos de Kairós? Tudo passa, para o bem e para o mal.
Antes de entrar no carro para ir ao trabalho deveria ter aberto a janela, observado o céu azul, os tons de verde nas plantas, o cheiro das flores e então encarado o resto que tantas vezes é tão menos importante que a primeira tragada de ar e inspiração da manhã. A Lua em Touro e a o Sol em conjunção com Vênus em Capricórnio dizem que o tempo é de trabalho e rotina. 

Chronos adormecido: o senhor dos relógios, ampulhetas e metrônomos
Mas, hoje o céu pediu uma pausa para observarmos uma beleza que paira nas coisas simples e dentro de nós. E isso com prazo de validade. À partir de amanhã ele já não poderá estar tão mais belo e radiante quanto. É a fugacidade de uma simples conjunção solar que dura tão pouco, apenas dois ou três dias. Desde ontem o Sol em conjunção com a Vênus, no terceiro signo de terra, nos ajuda a parar no tempo, coisa de Chronos (regente do bode), e se perder na beleza das coisas. Passando por dificuldade sem solução aparente alguém me disse uma vez algo muito simples: "Isso passa!". E passa mesmo, em algum momento, num tempo que nem sempre é dominado por nós. A questão é que as coisas boas da vida também passam com uma velocidade que às vezes nem Kairos, consegue acompanhar. 
Kairós: o tempo da oportunidade e da sincronicidade. O tempo de Deus.
Bem ou mal é preciso estarmos atentos quanto às qualidades e quantidades de tempo e o que elas sopram aos nossos ouvidos. Na Grécia antiga Chronos era o tempo do relógio, as horas, os dias, os meses e anos. Ter noção desse transcorrer ajuda a organizar a vida e vencê-la em período hábil. Afinal, é o inexorável tempo, no som de um metrônomo, que dita o ritmo do que foi e do que virá. Na época da sabedoria profunda o tempo tinha também outro nome, Kairós. Ele não era medido em quantidade, mas em qualidade. E a vastidão de uma tarde em escritório fechado batendo carimbos poderia se equiparar a anos de tormenta. Assim como uma troca de olhares em profunda conexão, seguida de um beijo também poderia durar um ano inteiro. O tempo de Chronos é o tempo dos homens, linear. O tempo de Kairos é o tempo dos deuses, o eterno e o oportuno. De fato tudo passa, para o bem e para o mal. Mas, como passa? 
Aline Maccari

Havia um rei muito poderoso que tinha tudo na vida, mas sentia-se confuso. Resolveu consultar os sábios do reino e disse a eles:
- Não sei porque, me sinto estranho e necessito de paz de espírito. Preciso de algo que me faça alegrar quando estiver triste e que me faça triste quando estiver alegre.
Os sábios resolveram então dar um anel ao rei, desde que o rei seguisse certas condições:
- Debaixo do anel existe uma mensagem, mas o rei só deverá abrir o anel quando ele estiver num momento de extrema dificuldade. Se abrir só por curiosidade, a mensagem perde o seu significado. Quando tudo estiver perdido, a confusão for total e a angústia se instalar, nada mais se puder fazer, aí o rei deve abrir o anel.
O rei seguiu o conselho. Um dia o país entrou em guerra e perdeu. Houve vários momentos em que a situação ficou fora de controle, mas o rei não abriu o anel, porque ainda não era o fim. O reino estava perdido e ele não podia recuperá-lo. Então resolveu fugir do reino para se salvar. O inimigo o seguiu, mas o rei cavalgou até que perdeu os companheiros e o cavalo. Seguiu a pé, sozinho e os inimigos atrás, era possível ouvir os cavalos. Os pés sangravam, mas tinha que continuar a correr. 
Os inimigos se aproximavam e o rei quase desmaiado chega à beira de um precipício. Os inimigos estão cada vez mais perto e não há saída, mas o rei ainda pensa: "estou vivo, talvez o inimigo mude de direção". Olhou para o abismo e viu leões lá embaixo. Não tinha mais jeito. Então o rei abre o anel e lê a mensagem: "Isto também passará". De súbito o rei relaxa. E naturalmente o inimigo mudou de direção. O rei volta e tempos depois reúne seus exércitos e reconquista seu país. Ele organiza uma grande festa, o povo dança nas ruas. O rei está felicíssimo, chora de tanta alegria e de repente se lembra do anel, abre e lê a mensagem "Isto também passará". Novamente ele relaxa e assim obteve a sabedoria e a paz de espírito que tanto queria. Sempre que você se encontrar com emoções fortes, seja de ódio, tristeza ou felicidade, até mesmo num momento de beatitude, lembre-se "isto também passará".
(As histórias e poesias sufis são tão antigas que nem sempre se sabe ao certo quem as escreveu. Sufis eram os sábios da "ala mística" do Islamismo que viveram a fase áurea do seu pensamento filosófico no período da  Idade Média.)


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