quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Lua Cheia em Câncer

A Lua Cheia em Câncer nos faz refletir sobre nosso bem estar pessoal, no entanto apenas o bem do grupo pode trazer de fato uma paz sustentável. Todas as vezes que a grande quadratura entre os signos cardeais é tocada os ânimos se alteram. A mesma Lua que acolhe pode nos amedrontar. E a relação obscura com o tempo (Plutão em Capricórnio) provoca grande ansiedade. Na noite passada os cães ladravam sem parar.
No céu a Lua Cheia está em Câncer, seu local de origem, farol de onde aquece os corações com amor e oferece aconchego e conforto para a alma. No entanto, a deusa dos humores e da noite está numa encruzilhada celestial onde tudo pode ser percebido às avessas. Tencionada pela grande cruz a Lua Cheia canceriana nos faz voltar ao passado, temendo o presente e então o futuro. A Lua do medo pode se somar à ansiedade, prato cheio para o temido bicho papão. O Sol em Capricórnio, o signo do tempo, pressionado por Plutão, pode perceber muitos minutos e segundos a mais dentro de uma simples hora, fazendo um período curto se alongar e preencher de vazio e perguntas sem resposta nas almas angustiadas.

O triunfo de Pan, de Nicolas Poussin - 1635. Pan, o sátiro é uma das figuras que se identifica com a mitologia de Capricórnio. Uma percepção alterada do tempo (Chronos) pode preenche-lo com minutos e segundos inexistentes produzindo espera e angústia ou ansiedade em níveis alterados. Para decisões importantes seria recomendado deixar a Lua Cheia em Câncer passar.
Se a relação desproporcional com o tempo gera ansiedade e com o coração aflito gera o medo, de que forma seguir em frente? Um padre maronita libanês me disse há alguns dias em Brasília que diante das circunstâncias atuais só o deus do impossível seria capaz de dar cabo de tantas demandas. Ansiedade e medo trespassam atualmente  a cabeça do presidente François Hollande, depois que a mídia revelou seu romance secreto com a atriz Julie Gayet. Os corações dos egípcios ao aceitar o general Abdel Fattah al-Sisi como novo presidente do país também. Medo e ansiedade trespassam também as histórias dos sudaneses do sul e de católicos e muçulmanos que atualmente vivem um genocídio na República Centro Africana. Mas, para quê irmos tão longe? Não precisaríamos sair do Maranhão para percebermos a efervescência de humores em quem foi alvo do esquecimento por parte do poder público. O mundo anda violento, primeiro porque é uma de suas vocações e segundo porque está orientado para o embate até que deixemos de carregar a cruz da grande quadratura. O ano de 2014 não será fácil e todas as vezes que a ponta dessa cruz cardial for tocada sentiremos que algo nos perturba e precisa ser transformado. A Lua Cheia em Câncer fala de família e vida privada, mas oposta ao Sol, Vênus e Plutão em Capricórnio estamos falando de vida pública também. As regras do lar não servem como orientação para a condução do estado. Os desejos pessoais, refletidos pelo revolucionário Urano em Áries não se afinam com Marte em Libra, no signo dos relacionamentos interpessoais. O que fazemos de nossas vidas afeta diretamente a casa, o relacionamento até chegar ao governo, ou seja, até afetar a todos nós: o grupo. Enquanto não percebermos que uma simples ação individual e inconsequente é capaz de movimentar a roda inteira onde nos metemos não deixaremos de lado a ansiedade e o medo. Ontem fiquei surpresa com o artigo de um jornalista português a respeito disso tudo, mais política e moralidade. Uma palavra repetida por ele no texto era decência. E se tudo trespassa a esfera da política, dentro e fora de casa, que sejamos decentes e coerentes com o que desejamos e plantamos. Todos temos o hábito de falarmos mal uns dos outros, de apontarmos o dedo na cara de um político e culpá-lo por todos os males do mundo. Mas, Mahatma Gandhy, Martir Luther King e Nelson Mandela também era políticos. O aprimoramento pessoal não começa no individual, mas no grupo. O texto segue abaixo para sua apreciação. Só nos sentiremos verdadeiramente acolhidos por uma generosa Lua Cheia em Câncer quando deixarmos nós mesmos de multiplicar o medo.
Aline Maccari

Como a política pode estar ao serviço da decência

A popularidade de Schweitzer, inversamente, acabaria por se desvanecer depois da sua morte, em 1965, em resultado de uma crítica moderna que viu na sua vida um exemplo do paternalismo do homem branco em relação aos africanos e um obstáculo à sua auto-determinação.
Mandela, por seu lado, começa a tornar-se uma presença constante no panorama mediático em 1980, com a campanha internacional “Free Mandela”, como símbolo da luta contra o apartheid e, após a sua libertação, a negociação do fim do apartheid, da instauração da democracia e da transferência de poder para as mãos da maioria negra transformam-no sem hesitações no homem mais admirado do planeta. Poucos imaginavam que a África do Sul poderia desatar o nó górdio do apartheid sem um banho de sangue e num espaço de tempo tão curto. Mandela consegue-o, substituindo a vingança pela verdade e reconciliação e pondo em práctica uma política literalmente desarmante.
O que é espantoso num trio como Gandhi, King e Mandela, que são talvez os três homens cuja vida é objecto de maior admiração no mundo moderno, é que se trata de três políticos.
Ninguém adivinharia, quando se vê o respeito, o fervor e a emoção com que estes três homens são olhados, que os políticos sejam considerados, em Portugal e em tantos outros países do mundo, um exemplo de corrupção, de falsidade, de falta de princípios, de deslealdade, de subserviência perante os fortes, de indiferença.
Poder-se-ia argumentar com a diferença entre os políticos de “antes” e os de “hoje”, mas Mandela, que abandonou a presidência em 1999 e continuou uma actividade pública depois disso, é claramente um homem do nosso tempo.
O que este trio nos mostra é a política no seu melhor. A política como ela deve ser e como ela pode ser. A política como instrumento de libertação, de progresso, de paz e de fraternidade. Não a política da subserviência ou do falso consenso. Mas a política do combate sem tréguas contra a iniquidade, da inflexibilidade na luta pela dignidade. É admirável que Mandela, que dirigiu a luta armada contra o apartheid, tenha recusado o ódio como móbil da sua acção política e tenha convencido todo um país a fazê-lo. Mas Mandela nunca abdicou do essencial: o fim do apartheid e a democracia. É por isso que o admiramos: pela sua firmeza no essencial e pela sua eficácia, por não aceitar a indignidade nem na forma como os negros eram tratados nem na forma como poderiam ter tratado os brancos.
O que a admiração das pessoas evidencia é que o melhor da política continua a ser a nossa maior aspiração e o mais nobre dos objectivos a que os homens se podem dedicar. Não é a política que nos repugna. É apenas certa política e certos políticos.
Em Portugal, particularmente, já tínhamos esquecido que a política pode ser exaltante. Isso é outra coisa que podemos agradecer a Mandela.
Não precisamos de menos política. Precisamos apenas de outros políticos.
Outra coisa curiosa no nosso trio é que dois destes homens (Gandhi e Mandela) eram advogados - uma profissão quase com tão má reputação como a dos políticos. Como era advogado Aristides de Sousa Mendes, que é hoje homenageado pela Ordem dos Advogados.
2. Há, no consenso que pareceu existir nos últimos dias sobre o legado de Mandela, uma esperança. Não falo do consenso hipócrita que pretende reescrever a história e colher louros indevidos aproveitando a morte de um grande homem. Mas falo daqueles para quem, com sinceridade, o legado de Mandela é admirável, desde a sua decisão de abraçar a luta armada ao seu abandono da violência. Há, em todos os gestos de Mandela, um núcleo de crenças que podem ser um ponto de entendimento entre um grande número de pessoas. Constituem o que podemos chamar a decência. A crença em direitos iguais para todos os homens e mulheres. Governar para servir todo o povo. O direito de todos a viver e a trabalhar com dignidade.
Também nós esperamos que um dia, em breve, de surpresa, como o fim do apartheid, a política possa deixar de nos repugnar e possa escolher a decência e começar a servir os cidadãos.  

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