quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Virgem e a história de Deméter e Perséfone

No mês virginiano cabe irmos mais a fundo nesse arquétipo tão cheio de contradições. E como temos o signo de Virgem no nosso mapa natal ele se manifesta em todos nós de alguma maneira, ainda que nós não percebamos isso claramente. Então se pensarmos que eles, os virginianos, são um signo neurótico, não se engane, em algum aspecto da sua vida você também é.
Aliás, para Sigmund Freud, o pai da psicanálise, em alguma medida somos todos neuróticos. Mas, voltando ao arquétipo, Virgem é classicamente regido por Mercúrio, deus do raciocínio e da comunicação. Em Virgem, Mercúrio se mostra analítico, cartesiano, criterioso, dado a raciocínios complexos e matemáticos. Mas, além de Mercúrio, o signo pode ser explicado também por meio da mitologia de Deméter, a deusa da agricultura, mãe de Perséfone, a deusa da Primavera. Em Deméter, Virgem não é a mãe canceriana da fase embrionária, que nutre e cuida da infância, mas uma outra mãe, de outra etapa da vida e da relação com os filhos. Segundo a mitologia, Hades ou Plutão, o deus dos infernos, estava em busca de uma noiva. Certo dia, andando pelo quintal de Deméter avistou Perséfone, a pura e a raptou violentamente levando-a para sua casa, o submundo, para torná-la sua esposa. Numa negociação sem fim, Hades promete libertar Perséfone uma vez por ano, na Primavera, para ver a mãe. Eis um mito dos tempos da "invenção" da agricultura, diria Joseph Campbell, pois ela é em alguma medida a representação de uma semente plantada nas entranhas da terra que nasce uma vez ao ano. No entanto, até que a rainha de Hades fosse liberada pelo marido, a mãe entra em parafuso. Desesperada, Deméter recorre a várias instâncias para resgatar a filha, pede ajuda a deuses e deusas, e quase morre de tristeza. O significado profundo dessa passagem da narrativa é A NECESSIDADE DA MÃE ACEITAR A EMANCIPAÇÃO DA FILHA. Todas as vezes que uma mãe vê seu filho empacotando suas coisas para sair de casa em definitivo, seja moça ou rapaz, a mãe Deméter fica de coração partido. Minha prima Márcia está vendo seu filho Thiago se casar e em alguns meses ela já não o terá mais em casa. Há meses ela já está sofrendo como Deméter. Nesse processo, toda mãe-Deméter precisa passar pela experiência da tolerância e do sacrifício. Quando a mãe se nega a essa passagem ela está em algum nível, TRAINDO AS LEIS DA NATUREZA. Em Deméter, a mãe precisa renunciar á unilateralidade da vida. Ela abandona uma visão individual da existência humana, para viver uma outra vida de perspectivas mais amplas (apesar de duras inicialmente) porém mais altruístas. Eis o por que da psique virginiana ser tão complexa, segundo a literatura. Ela está em algum nível no limiar de uma ruptura simbólica, o que traz em si grandes ambivalências. Na literatura astrológica fala-se de uma perspectiva de mudança de humores, sensibilidade, pessimismo, melancolia e neurose; traços de uma Deméter que "não deixou ir". É a obsessão por ter a "filha" de volta. Uma experiência que toda mãe um dia passará na vida. Essa narrativa mítica pode ser entendida em vários níveis e de várias maneiras. As histórias mitológicas vivem dentro de nós e se manifestam geralmente de forma tão inconsciente que não conseguimos perceber o por quê das nossas atitudes. Essa pode ser uma verdade que se manifesta em todos nós, não importando se somos mulheres, homens, mães, pais, crianças, jovens ou adultos. Conversar com o mito, entrar na história, identificar-se nessa narrativa ou parte dela, pode em alguma medida, nos fazer entender os processos que acontecem dentro de nós. Onde tempos Virgem no mapa, PODEMOS ser uma Deméter aflita.
Aline Maccari
*Referências: Joseph Campbell, Junito Brandão e Roberto Sicuteri. A linda ilustração é do gênio do Art Nouveau, o austríaco Alfons Mucha

*Assim na Terra como no Céu! A astrologia faz todo o sentido por que microcosmos e macrocosmos tem uma relação íntima entre si. O que acontece entre os astros, repercute simbolicamente em nossas vidas, todos os dias. Essa "psicologia antiga" funciona como uma verdadeira bússola nos orientando na nossa jornada. Para entender melhor a si mesmo entre em contato com A Astróloga pelo e-mail aastrologa@gmail.com  

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* Aline Maccari é jornalista, cronista e astróloga, com pós graduação em psicologia junguiana. Para saber mais visite o blog www.aastróloga.com.br

Créditos e referências: Joseph Campbell, Junito Brandão e Roberto Sicuteri. A linda ilustração é do gênio do Art Nouveau, o austríaco Alfons Mucha
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