quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Situação Limite e Superação: a história da bailarina

Diário da Astróloga: 15.10.20 | No céu, um aspecto que já mostrou sua força na semana passada promete abalar as estruturas novamente. Na última quinta-feira, escrevi sobre a GRANDE CRUZ que se estendeu até o final de semana. Desta vez temos novamente uma GRANDE QUADRATURA, envolvendo alguns dos mesmos planetas da primeira formação, mas agora acrescidos de novos elementos. Sobre nossas cabeças, o Sol em Libra se indispõe com os planetas em Capricórnio (Júpiter, Saturno e Plutão), se opõe a Marte Retrógrado em Áries e espera ansiosamente pela Lua Nova em Libra que se fará precisamente amanhã, como quem aguarda a retirada do pino de uma granada. É novamente e novamente mais um dos momentos mais tensos do ano e isso pode ser visto nas notícias da Terra.
Aqui embaixo, a Europa reage à segunda onda da Covid com toque de recolher e estado de calamidade em países como França, Espanha e Portugal. O Azerbaijão ataca instalações militares na Armênia e pode iniciar uma guerra na região. E no Brasil, as Forças Armadas fazem simulação de guerra milionária e sem precedentes na Amazônia, temendo uma invasão venezuelana. Por esses e por outros inúmeros eventos, no céu e na Terra, nos parece novamente que a esperança anda por um triz. Ou seja, é mais um momento em que, como na semana passada, estaremos vivendo situações limite e consequentemente sendo levados a encontrar saídas e soluções para as nossas questões.

Mas o quê fazer em momentos tão cruciais como esses? Se me permitem, gostaria de compartilhar com vocês um aprendizado pessoal que me servirá para a vida toda. Até o ano passado eu atuei como trabalhadora humanitária, na assessoria de comunicação da Agência da ONU para Refugiados, na Operação de Emergência e Acolhimento aos venezuelanos que atravessam a fronteira com o Brasil todos os dias. Eu sentia que esta seria uma grande experiência na minha vida. Algo me dizia que se eu convivesse com pessoas em situação limite, que se viam estranguladas pela vida em todas as direções, que eu poderia não só ajudá-las, mas que aprenderia muito com elas. E foi exatamente isso o que aconteceu! 

Diariamente nós reclamamos aos céus sobre tudo o que nos falta. Mas pouco vemos tudo o que já alcançamos. Trabalhar com os refugiados venezuelanos e ouvir suas histórias diárias nos faz enxergar a realidade sob ângulos completamente diferentes e perceber que na verdade a vida está sempre por um triz. E me parece que é justamente quando nos deparamos com situações limite que descobrimos parte de seu real significado da nossa história. Nas minhas andanças diárias pela fronteira e pelos acampamentos da Operação Acolhida, eu ouvia histórias de superação inacreditáveis. E como "escutadora e contadora de histórias", eu não poderia ter tido uma experiência mais rica. Leonora foi uma dessas pessoas que mudou a minha maneira de pensar para sempre. Ela era uma mulher com seus setenta e poucos anos, cubana, que muito jovem havia saído do seu país natal para ir viver com o pai cubano e a mãe venezuelana, na Venezuela. Então criança, ela foi refugiada pela primeira vez. Leonora passou por um casamento terrível, o ex marido era um homem violento e demorou anos para ela se livrar, também de maneira violenta, de suas garras. Leonora teve vários filhos, mas numa grande enchente histórica que assolou cidades venezuelanas, ela perdeu um deles. E como ela também foi arrastada pelas águas, em algum momento bateu a bacia numa pedra, comprometendo o caminhar da mulher que era bailarina, professora de dança. E então, por volta de 2018, quando a situação da Venezuela se tornou insustentável, ela fugiu de seu país caminhando com o que podia carregar nas costas, até chegar ao Brasil, tornando-se refugiada pela segunda vez. Mas apesar de todas as situações limite que Leonora havia passado, ela não se curvava diante das adversidades. A primeira vez que eu a vi ela estava entre crianças refugiadas, vestidas de bailarinas, ensinando-as a dançar. E todas as outras vezes em que eu conversei com ela, lá estava a senhora elegante, exausta, mas sempre com os cabelos branquinhos penteados para trás, com seus brincos de pérola, ainda que artificiais, as bochechas rosadas de blush e uma altivez que lhe garantia o ar mais digno que eu jamais vi. 

Certa vez um colega me disse que Leonora era feita de aço. E deste momento em diante eu só conseguia vê-la como uma grande heroína. Desta vivência, uma das mais ricas que já tive em minha vida, aprendi com Leonora que apesar de todas as circunstâncias da vida, tudo é passageiro e que mesmo diante das piores adversidades não devemos perder nossa força interior e nossa dignidade.  Assim, desta lição e para o dia de hoje, gostaria de sugerir que tentássemos enxergar a nossa realidade atual com outros olhos. Há pessoas passando por situações limite muito mais devastadoras que nós. E muitas delas tem encontrado saídas muito mais criativas que nós. Se possível, ao invés de pedir, ofereça. Ofereça a sua escuta atenta às histórias de quem têm muito menos que você. Nós precisamos nos colocar noutras peles para experimentar a vida em sua vastidão. Ouça gente mais humilde e verá que a dignidade reina em muitos corações. E que justamente a boa mistura entre resiliência. humildade e dignidade é que pode nos salvar nos nossos momentos mais decisivos.

Ainda hoje, quando me sinto atravessada pelas dificuldades, me lembro de Leonora, esta Mulher Maravilhosa. Se você acha que está passando por dificuldades em tempos pandêmicos, estando dentro de casa, assistindo Netflix e pedindo comida pelo I Food, imagine quem partilha da mesma realidade pandêmica, mas sem qualquer um desses pequenos luxos. Se queremos ser fortes, precisamos aprender com os fortes! Espero que a história de Leonora tenha sido tão revigorante para vocês quando foi para mim. Hoje em dia, ela e alguns de seus filhos e netos, foram "adotadas" por uma família brasileira, e moram atualmente algum lugar no sul do Brasil. Onde quer que você esteja querida Leonora que o Invisível continue cuidando de você, ainda que do seu jeito um tanto torto. Obrigada por tudo e para sempre!
Aline Maccari Jornalista, Astróloga e Analista Junguiana
CRÉDITOS: O desenho ilustrativo sugere "Leonora", a personagem real da história de hoje. A foto de "Leonora", nome fictício, será preservada em nome do resguardo de seu anonimato.



Diário da Astróloga: 15.10.20 | No céu, uma configuração celeste, muito semelhante à Grande Cruz, nos desafia ao limite novamente. Ufa! Esse 2020 não nos dá trégua. No vídeo de hoje, quem nos ensina a sair dessa encruzilhada é uma bailarina. Aline Maccari Jornalista, Astróloga e Analista Junguiana
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CRÉDITOS: A Astróloga
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