sexta-feira, 12 de abril de 2013

Touro: com trabalho e muito prazer

Eu e Sr. Antime em Burundi na África
Num país distante chamado Burundi, um dos menores da África, vizinho a Ruanda e à Tanzânia conheci Antime. Ele foi personagem de uma reportagem que fiz para a TV brasileira sobre culturas tradicionais africanas. Aos 75 anos ele é o último instrumentista vivo dos "Tambores Reais de Burundi", grupo musical preservado mesmo após a década de 60 quando a monarquia se desfez por causa da dominação belga. Num lugar onde as pessoas vivem com menos de um dólar por dia Antime não perde a dignidade e o foco em sua missão. É mestre artesão e ensina a nova geração a produzir os tambores à partir da madeira de uma árvore encontrada apenas nesta região, uma gigante frondosa, generosa e de nome difícil: umuvugangoma. Quando não está em casa cuidando da esposa, filhos e dos 27 netos ele está na floresta ouvindo o som da madeira, percebendo sua textura e densidade para ver se vale a pena derrubar a árvore para produzir o instrumento. Quando escolhida, a árvore é cortada num dia especial, de acordo com um ritual muito antigo onde Antime se comunica com a "entidade" presente na mata para agradecer sua oferta generosa aos tambores e ouvidos não só africanos, mas de todo o mundo. Depois de arrancada ele cava a madeira como quem esvazia um útero que em breve gerará música. A concavidade precisa ser exata, em altura e largura, do contrário o som não propaga adequadamente e o tambor não servirá a seu propósito. Com pele de cabrito ele cobre o instrumento e o compara à pele macia de uma mulher. O corpo do instrumento, segundo Antime é o corpo de uma beldade e os pinos de madeira que sustentam o couro seriam os seios da moça. Pronto e afinado, o tambor em Burundi, é comparado a uma mulher que soa, ressoa, geme, pede, ora doce, ora agressivamente. Quando tocado em grupo o som traz a agressividade primitiva da África, como um chamamento à guerra. Noutro momento soa melodioso e hipnótico como um convite ao sexo, ao amor. Antime conta que, quando era muito jovem, era convidado a entrar na cabana real de palha e tocava para que o rei e a rainha copulassem e gerassem filhos fortes e belos. Geralmente ele presenciava o feito, como um sacerdote que protege e abençoa. O trabalho de Antime tem valor e transcende sua própria cultura porque seu ofício é tomado de significado, rituais e respeito. E de alguma forma se assemelha a outros como a um ferreiro ou a um sapateiro de outros tempos. No céu de hoje a Lua em Touro novamente nos convida a refletir sobre o trabalho. Quando conheci Antime vi de perto, em casa ou em sua pequena oficina, o cuidado que tem em fazer bem seu trabalho. Ninguém é muito bom no que faz por acaso. E é essa mensagem que os deuses trazem hoje. Em aspecto tenso com Saturno, o signo do trabalho, a Lua avisa que sem disciplina e dedicação o esforço será em vão. Além disso, a Lua bem posicionada em relação a Plutão explica que sem profundidade e envolvimento com o que fazemos também não teremos êxito.  Entre o trabalho, a sensualidade, o apuro e a beleza, típicos do signo de Touro, Antime leva a vida e nos ensina que o trabalho pode ser fonte de grande realização e muito prazer.
Aline Maccari

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