quinta-feira, 2 de maio de 2013

Lua em Aquário: O Rei e seu anel

Nasrudin: O narrador mítico das antigas histórias árabes
Sol, Mercúrio, Vênus e Marte nos trazem para a estabilidade da terra em TOURO enquanto a Lua em AQUÁRIO leva nossos pensamentos para bem longe daqui. Como lidar com a divagação e a realidade? Quinta e sexta-feira nos presenteiam com uma Lua filosófica, inquieta e cercada por aspectos desafiadores. Nessas horas o melhor talvez seja concentrar se em observar, antes de dar o próximo passo. As histórias do velho Nasrudim, o contador árabe, nos trazem sempre bons conselhos.

Havia um rei muito poderoso que tinha tudo na vida, mas sentia-se confuso. Resolveu consultar os sábios do reino e disse a eles:
- Não sei porque, me sinto estranho e necessito de paz de espírito. Preciso de algo que me faça alegrar quando estiver triste e que me faça triste quando estiver alegre.
Os sábios resolveram então dar um anel ao rei, desde que o rei seguisse certas condições:
- Debaixo do anel existe uma mensagem, mas o rei só deverá abrir o anel quando ele estiver num momento de extrema dificuldade. Se abrir só por curiosidade, a mensagem perde o seu significado. Quando tudo estiver perdido, a confusão for total e a angústia se instalar, nada mais se puder fazer, aí o rei deve abrir o anel.
O rei seguiu o conselho. Um dia o país entrou em guerra e perdeu. Houve vários momentos em que a situação ficou fora de controle, mas o rei não abriu o anel, porque ainda não era o fim. O reino estava perdido e ele não podia recuperá-lo. Então resolveu fugir do reino para se salvar. O inimigo o seguiu, mas o rei cavalgou até que perdeu os companheiros e o cavalo. Seguiu a pé, sozinho e os inimigos atrás, era possível ouvir os cavalos. Os pés sangravam, mas tinha que continuar a correr. Os inimigos se aproximavam e o rei quase desmaiado chega à beira de um precipício. Os inimigos estão cada vez mais perto e não há saída, mas o rei ainda pensa: "estou vivo, talvez o inimigo mude de direção". Olhou para o abismo e viu leões lá embaixo. Não tinha mais jeito. Então o rei abre o anel e lê a mensagem: "Isto também passará". De súbito o rei relaxa. E naturalmente o inimigo mudou de direção. O rei volta e tempos depois reúne seus exércitos e reconquista seu país. Ele organiza uma grande festa, o povo dança nas ruas. O rei está felicíssimo, chora de tanta alegria e de repente se lembra do anel, abre e lê a mensagem "Isto também passará". Novamente ele relaxa e assim obteve a sabedoria e a paz de espírito que tanto queria. Sempre que você se encontrar com emoções fortes, seja de ódio, tristeza ou felicidade, até mesmo num momento de beatitude, lembre-se "isto também passará".
O ódio não será ódio, a tristeza não será tristeza, a felicidade não será felicidade, será apenas uma fase. Todos esses estados de espírito serão a vida e não você. Quando os planetas passam e nos contaminam com suas energias eles passam e não se apropriam de nós. A astrologia ensina que vendo a vida como uma sucessão de acontecimentos de forma cíclica é possível trazer alguma ordem a uma cenário caótico e ao mesmo tempo afastar-se dele para vê-lo melhor. A Lua faz sua volta completa a cada 28 dias, Saturno a cada 28 anos. É assim. No entanto não se envolva, seja um espectador. Esse silêncio interior, quase divino, nos faz perceber que felicidade e infelicidade passam a ser a mesma coisa. Quanto maior a distância, maior a consciência do que está acontecendo. Isso só acontece quando matamos o nosso ego (Aquário é o não Ego ou o Ego coletivo), nosso EU. E essa morte dá lugar finalmente ao novo que se inicia. Jogue fora conceitos, atitudes, identidades enferrujadas e dê lugar ao novo. Para isso é preciso criar um lugar especial dentro de você para recebê-los. Crie um novo espaço! E lembre-se "isto também passará".
(As histórias e poesias sufis são tão antigas que nem sempre se sabe ao certo quem as escreveu. Sufis eram os sábios da "ala mística" do Islamismo que viveram a fase auria do seu pensamento filosófico no período da  Idade Média.)
Aline Maccari

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