segunda-feira, 11 de abril de 2011

Astrologia, budismo e morte no Livro Tibetano do Viver e do Morrer

Hades, o deus dos mortos.
Vivi algumas experiências de morte e quase morte durante a vida, assim como muitos já viveram ou viverão um dia. Mas, para mim, os significados desses episódios foram tão marcantes que me fizeram buscar explicações para esses momentos no budismo e na astrologia. O budismo tibetano me trouxe a clareza para entender que a morte é um episódio que faz parte da vida, com naturalidade. E a astrologia me explicou que este processo irá se repetir muitas vezes na vida. Entender que esse fenômeno é cíclico, trás ordem e sabedoria a um instante tenebroso que num primeiro momento nos faz pensar apenas em desgraça e caos. Como astróloga sei que Plutão, o planeta da morte, se encontra no meu mapa astral natal numa posição de destaque de forma que muitas são as pessoas com experiências de morte que me procuram: pessoas que estão morrendo, que perderam seus parentes, que terminaram longos e estáveis relacionamentos amorosos, pessoas que foram abusadas sexualmente, que cometeram atos condenáveis ou praticaram aborto... Sabendo disso, decidi ir a fundo no tema em busca de conhecimento e conforto. Do fundo do meu coração desejo ajudar da melhor maneira a quem vêm até mim em busca de respostas.
Ralph Finnes vive Hades ou Plutão no filme Fúria de Titãs

Na mitologia, Plutão é o planeta dos infernos, dos mortos, dos subterrâneos. Seu nome grego é Hades e o inferno também pode levar seu nome. Quando os irmãos, filhos do Senhor do Tempo, Saturno, descobriram suas afinidades, Júpiter (Zeus) se tornou Deus do Olimpo e Netuno (Poseidon) se tornou o Deus dos Mares.
A Plutão (Hades) sobrou os infernos. No entanto Plutão não é um deus maligno, pecador ou sofredor. Apesar de reinar sobre a destruição e a morte, Plutão é o Deus da Transformação e regeneração, estes são os seus aspectos mais profundos. É ele quem traz o que está escondido na superfície da consciência. Pessoas com posicionamentos importantes de Plutão ou Escorpião viverão várias situações de morte ao longo da vida. E muitas poderão se desenvolver como bons psicólogos, psicanalistas, psiquiatras, xamãs, astrólogos, conselheiros, religiosos, sacerdotes... No entanto, quando toda esta energia é reprimida nascem vícios, escapismos, fanatismos, doenças físicas e psíquicas. Entender a passagem de Plutão nas nossas vidas é uma tarefa dificílima, angustiante e sofredora. Mas esta experiência pode ser diferente e profundamente transformadora, enriquecedora e até iluminadora da mente e da alma, como ensinam algumas tradições orientais. Para entender a fundo a importância de Plutão decidi estudar um clássico sobre o tema: O livro tibetano dos mortos. E assim entender o fenômeno unindo astrologia e budismo.

O Livro Tibetano do Viver e do Morrer

O budismo tibetano, a forma filosófica que adotei para entender a vida, tem me trazido respostas para experiências plutonianas ou de morte e renascimento. Recentemente ganhei um presente e tanto, O Livro Tibetano do Viver e do Morrer, do estudioso tibetano Sogyal Rinpoche. O livro é uma referência e um amplo estudo sobre uma obra clássica do budismo tibetano “O Livro Tibetano dos Mortos”. Em 22 capítulos o autor esclarece os estudos que fez com relação ao clássico e outros tantos estudos realizados sobre o tema com a habilidade de conhecer o significado da morte para nós ocidentais. Junto com vocês vou lendo o livro e trazendo aos poucos resumos comentados dos capítulos. O livro se divide em quatro Partes: Parte 1 – Viver, Parte 2: Morrer, Parte 3: Morte e Renascimento e Parte 4: Conclusão. O prólogo já anuncia a atmosfera do livro. Escrito pelo Dalai Lama o texto traz nas suas últimas linhas a definição belíssima de que aqueles que estão se despedindo devem ser tratados com todo o carinho e a atenção que um bebê recebe em sua chegada ao planeta. Afinal, é apenas o movimento inverso. Os resumos dos capítulos seguem nas próximas postagens.
(Sogyal Rinpoche - Autor de "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")
Aline Maccari

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