segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

The Back Swan – Cisne Negro, O Filme.


Serei a milionésima pessoa a postar algo sobre o filme do momento, “O Cisne Negro”. O filme é um sucesso de bilheteria, a atriz é primorosa, a história preza por uma edição muito bem amarrada e a fotografia clássica é límpida e irretocável como uma pintura renascentista. É uma verdadeira experiência cinematográfica. Mas mais que isso o filme agradou tanto porque levanta um questionamento ancestral e universal sobre viver o lado luz e o lado sombra dentro de cada um de nós. Outros filmes também falaram disso, mas “O Cisne Negro”, mergulha em sua sombra de forma a manter-se vivo. Bem e mal são obra de um questionamento antes de tudo moral, que retoma os tempos em que o mundo era explicado de acordo com a ética judaico-cristã. Nesses últimos dois mil anos o branco ficou cada vez mais branco e preto cada vez mais negro. O filme, corajosamente, conta a história de uma personagem que tem de mergulhar fundo no que há de mais tenebroso, imoral, contestável, sexual, sujo e visceral para encontrar sua purificação.

O sucesso do filme está em mostrar que viver tudo isso é infinitamente menos condenável que o fracasso construído por nós mesmos e a infelicidade iminente. Não é entoando mantras ou forçando pensamentos puros que chegaremos vivos ao lado de lá. Mas integrando de forma verdadeira, consciente e lúcida a sujeira à alma. Só quem consegue andar na escuridão de sua própria sala apagada, cheia de medos e fantasmas é capaz de acender a luz.
No mapa astral quem tem aspectos importantes como Sol, Lua ou Ascentende no signo de Escorpião, regido pelo planeta Plutão vive esse karma com ainda mais intensidade que os demais mortais. Plutão, também chamados de Hades na mitologia grega é aquele que traz consigo um escuro sem fim, em si ou nos outros, e nas relações que desenvolve. Para Hades não adianta orar. Abrace o príncipe dos infernos, descubra seu poder. O pior dos diabos, pode se tornar seu maior mestre. Coragem!
Aline Maccari

Um comentário :

  1. Aline,

    Suas colocações aqui estão fantásticas. Há tempos venho tentando abraçar minha sombra e reverenciar meu inferno, como partes de mim mesma. O desafio é grande e a dor pode ser imensa. O fato é que, como vc menciona, não há outra possibilidade. Como diria Herman Hesse... que sejamos capazes de conhecer e conviver com o Deus Abraxas.

    Adorei este espaço! Parabéns!
    bj

    Sabrina Ferroli

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