segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Dia 1

Se Carl Jung estivesse vivo e acordasse na manhã desta segunda-feira no Brasil, cheio de ressaca como tantos de nós, talvez tivesse a percepção de que nada está fora do lugar, muito pelo contrário. Das batalhas psicológicas mais duras a se travar, não há nada como deparar-se com a própria sombra, o mais temível dos inimigos. À luz parecíamos, aos nossos e aos olhos do mundo, um país de cordiais, alegres, pacíficos e de iguais.
Ter como símbolos nacionais o samba e o futebol devia despertar uma inveja brutal nas demais nações. Era o Marte mais viril e vitorioso, a Vênus mais exuberante e lasciva. É muito Sol, muita praia, muita banana, muita bossa, muita beleza, jovialidade e simpatia pra um povo só. Eu que fui casada com dois estrangeiros sei bem desse sonho romantizado de refúgio tropical alimentado por eles, como se ainda fossemos o único reduto na Terra, da natureza em seu estado mais puro, imaculado. Quanto engano! A passagem de Plutão por Capricórnio e Urano em Áries, nos últimos anos, tem desmascarado a todos em nível pessoal e coletivo de modo a percebermos que toda luz tem sua sombra e em igual proporção. O país de brutais desigualdades econômicas, sociais, culturais, racista, machista, homofóbico e reacionário precisava vir à tona para finalmente buscar sua inteireza. Apesar de termos uma das maiores paradas gay do mundo, somos o país que mais mata integrantes da comunidade LGBT. Somos algumas das mulheres mais paranoicas do planeta, com nossos botox, próteses, dietas e outros excessos, a carregar a espada do machismo contra nós mesmas. Ao mesmo tempo em que somos campeões em feminicídio. Sacrificamos o futuro dos jovens que não encontram oportunidades. Os negros são os que mais morrem em embates policias e super lotam presídios. Somos o país em maior número de voluntariado entre todos os outros, mas matamos trabalhadores humanitários e jornalistas. Nós queimamos índios!
A ressacada da tomada de consciência é dos golpes mais potentes que se possa viver,é um soco no estômago. No entanto dos mais necessários. Não há como tornar-se um ser ou uma nação íntegra sem o conhecimento do oculto, da mentira, da farsa. Isso isso seria hipocrisia! Desorientados estamos todos. Mas esse PODE ser o primeiro dia do resto de nossas vidas rumo à integração do todo que somos e que podemos vir a ser. Para Jung não existe iluminação, mas integração de conhecido e desconhecido, de luz e de sombra. A esse processo de "tornar-se o que se é", com tudo o que lhe compõe, Jung chama de INDIVIDUAÇÃO. "Em todo o caos há uma ordem, em toda a desordem uma ordem secreta", rumo à totalidade, diria ele. Bem vindo ao que poderia ser o nosso DIA 1! Pra começar, alguém conhece uma receita mais forte contra ressaca que banho gelado e chá de boldo?
Aline Maccari

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*Assim na Terra como no Céu! A astrologia faz todo o sentido por que microcosmos e macrocosmos tem uma relação íntima entre si. O que acontece entre os astros, repercute simbolicamente em nossas vidas, todos os dias. Essa "psicologia antiga" funciona como uma verdadeira bússola nos orientando na nossa jornada. Para entender melhor a si mesmo entre em contato com A Astróloga pelo e-mail aastrologa@gmail.com  
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* Aline Maccari é jornalista, cronista e astróloga, com pós graduação em psicologia junguiana. Para saber mais visite o blog www.aastróloga.com.br

CRÉDITOS: Arte de Tana Miller
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