terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Carnaval: viva a fantasia!

Mulher no carnaval. Foto do brasileiro Antônio Guerreiro. E você? Qual a sua fantasia favorita?  E afinal, por que celebramos a festa? Qual o seu significado oculto?
O carnaval é celebrado desde os tempos em que a  realeza era sinônimo de nobreza de caráter e fina sintonia com as leis da natureza e do espírito. Naquela época, o bom rei, deixava as chaves da cidade nas mãos de um rei bufão e a por três dias a vida se tornava um caos. O mendigo da rua virava importante fidalgo, a recatada moça de família virava meretriz, o prefeito presunçoso virava marinheiro, crianças se tornavam adultos, pais de família se vestiam de mulher e esposas domesticadas se tornavam lindos bichos selvagens. Por três dias era possível trocar de papéis, encarnar a fantasia de ser outra persona.
Uma farra levada ao apogeu da loucura dionisíaca, do vinho ao êxtase, até que tudo se acabasse em cinzas, como uma fogueira que arde intensamente até se tornar pó. Essa época, coincidia com fevereiro, o mês do signo de Aquário, regido pelo planeta Urano. Na mitologia, Urano, o deus céu, é aquele que dá origem a tudo, pois é também o princípio do Caos, o nada que pode vir a ser tudo, o lugar de nascimento de todas as coisas, onde ainda não brotaram preconceitos, limitações, predeterminações ou inclinações. No Caos há uma loucura, uma efervescência, um frenesi e uma liberdade que não existem em nenhum outro momento. No Caos tudo é possível, permitido, livre, pois é o espaço do vir a ser.
Janys Jopling e o Rei Momo no carnaval do Rio de Janeiro. Depois da brincadeira, o Rei da fantasia devolvia as chaves da cidade ao Rei de verdade.

Quando o sábio rei entregava as chaves da cidade ao Momo ele sabia que durante três dias ele deixaria a população entregue às experiências de um começo caótico onde tudo, absolutamente tudo era possível, sem nem mesmo a distinção entre o que é bom e o que é mau. Uma experiência, que dentro da perspectiva junguiana pode ser entendida como uma licença para vivermos nossas mais reprimidas fantasias, guardadas a sete chaves em nossa sombra ou personalidade sombria. Nela, onde mora tudo o que há de mais contido em nós, vive nossa outra metade, a parte compensatória da mulher recatada, a libertina; a parte compensatória do homem adulto e responsável, o menino. Por três dias a experiência de viver o Caos permitia ao homem entrar em contato com o pior e o melhor de si mesmo, suas auto representações mais delirantes, sua loucura e divindade, até que sua fantasia sobre esse outro si mesmo acabasse em cinzas. Como um outro eu que nasce, cresce e morre. Após a quarta-feira, tudo voltaria a ser como antes. Mas, com um aprendizado, o de que dentro de cada um de nós mora um bicho indomável que precisa dizer Carnavales, Adeus à Carne, pelo menos uma vez por ano. Por meio da experiência dos opostos, como um yin-yang, o sujeito tinha a oportunidade de conhecer o melhor e o pior de si, de se libertar do que lhe oprimia e viver uma experiência riquíssima de autoconhecimento e por que não de diversão, às custas de outras realidades, numa atmosfera totalmente propícia para isso. 
Xuxa e Luisa Brunet no carnaval dos anos 80.
Urano e o rei nos ensinavam que a experiência do Caos no Carnaval, como uma grande catarse coletiva, não só pode ser muito libertadora como Aquário gosta, como fundamental, pois quem não fica fora de si por bem, pode acabar se deparando com sua parte sombria em condições totalmente inapropriadas. 
Viver a loucura do Carnaval não é só uma permissão social, baseada numa necessidade real ou uma licença religiosa, pois mesmo a Igreja sabe muito bem dos bichos que moram dentro de nós. É acima de tudo uma necessidade emergente da psique, da alma. Pois se temos licença para nos acabarmos em fantasia, aproveitemos! Antes de voltarmos à dura realidade. 
Aline Maccari
Mulheres domesticadas se fantasiam de lindos bichos selvagens no carnaval. Pelo menos algumas delas. 


fan·ta·si·a 
(latim phantasia-aeideianoçãofantasmaapariçãodo grego fantasía)
substantivo feminino
1. Sinónimo de imaginação.
2. Espíritopensamentoideia.
3. Vontade passageira.
4. Ficção.
5. Capricho.
6. Gosto extravagante.
7. Roupa que representa um traje típico (de uma épocade uma profissão), um objectoum animaluma figuraetc., usada sobretudo como disfarce em festas (ex.: crie a sua própria fantasia de Carnaval).
8. Obra em que o artista ou o escritor segue a sua imaginaçãosem se sujeitar à verdade ou às regras.
9. [Música Peça musical em que o compositorpondo de parte qualquer forma estudadadeixa simplesmente actuar a fantasia da sua imaginação.
10. Paráfrase de uma obra musical.


"fantasia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013

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