quinta-feira, 24 de março de 2016

Páscoa: bodes, chocolates e salvadores

Na antiguidade as mais variadas culturas firmaram um pacto com seus deuses. E em troca da redenção de seus pecados para consigo e com os outros eles deveriam participar de uma série de rituais repletos de simbolismo. O começo, meio e fim de cada uma dessas encenações coletivas e também psicológicas tinham um propósito específico que com o tempo foi esquecido. Tomada pelas ocupações da vida, a população resolveu clamar as bênçãos dos céus usando um bode expiatório.
Os sacrifícios animais tinham o propósito de eliminar os carmas de toda uma comunidade simbolicamente concentrados em um único animal. O sangue de um bode, carneiro, vaca ou cavalo puro representaria o sangue de todos os impuros ali presentes. Até que em Jerusalém, um cara chamado Jesus Cristo sentiu profundamente em seu coração uma coisa chamada hipocrisia coletiva.
Ninguém se redimia e os amigos bichos é que pagavam o pato. Numa trajetória de 33 anos aproximadamente ele provou que tudo isso não passava de um engano enorme e que essas e outras tantas atitudes equivocadas poderiam levar a humanidade para o brejo. Usando o próprio corpo como exemplo ele se deixou ser crucificado e limpou todos os nossos pecados, mostrando que as nossas atitudes em vida tem consequências individuais, intransferíveis e em muitos momentos nefastas. Ele queria dizer com isso que cada um de nós, muito mais que o bode, precisa morrer, encontrar nossas sombras, viver nossos infernos pessoais, para que possamos então renascer. E que a salvação está no comprometimento com o coração e o amor, e não na capacidade de compra da mais bela vaca para o abate sacrificial. De forma que a morte pode ter significado algum, para certas pessoas ou resumir a correta intenção de toda uma vida. Já ouviram aquela frase "fulano morreu como viveu"?

O feriado de Páscoa geralmente nos espera sob a Lua Cheia em Libra, onde aguardamos por um Eclipse Lunar e em seguida a entrada da Lua em Escorpião, a Lua de morte e renascimento simbólico, fictício, de efeito íntimo, psicológico. Os ânimos estarão mais que exaltados. E o cenário de quadraturas entre os planetas no céu pode fortalecer ainda mais conflitos, disputas e guerras, pessoais, românticas, caseiras, intelectuais, políticas, religiosas, internacionais. Assim, antes de perder a noção do bom senso, contemos até ... Tendo ou não uma religião, a Páscoa tem muito a nos ensinar, pois ela vai muito além do cristianismo. Ela é um dos princípios da vida. Morrer e renascer só pode ser em nome do amor. Haveria outro motivo para tal? Ou será que estamos tão distantes do significado da palavra que não conseguimos mais entender algo tão antigo e essencial? A oportunidade da purificação e, portanto recomeço, estará presente todas as vezes em que nos colocarmos diante do divino, de joelhos e coração honestamente abertos. Tudo mora na intenção! A todos uma excelente Páscoa com a alma doce como chocolate.  
Aline Maccari
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